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Por que algumas pessoas falam dormindo? Psicólogo do sono explica

Especialista em sono detalha as razões científicas por trás do hábito de falar durante o repouso noturno e esclarece mitos sobre o tema.

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Por que algumas pessoas falam dormindo? Psicólogo do sono explica

Falar dormindo é um fenômeno curioso que desperta a atenção de muitas pessoas, seja pelo estranhamento de dividir o quarto com alguém que murmura durante a noite, ou por já ter protagonizado conversas inteiras sem estar consciente. O comportamento faz parte das chamadas parassonias, eventos e ações que ocorrem enquanto a mente ou o corpo transitam pelos estados de repouso.

De acordo com especialistas, o descanso humano é estruturado em diferentes ciclos e estágios que se repetem aproximadamente a cada 90 minutos. Entre eles estão o sono REM — fase associada aos sonhos mais vívidos e que ocupa cerca de um quarto da noite — e o sono não-REM, responsável pelas etapas mais profundas onde o corpo desacelera e recupera energias.

O hábito de verbalizar sons durante o sono acontece justamente quando as áreas cerebrais encarregadas da linguagem e da fala mantêm algum nível de atividade, enquanto os mecanismos que normalmente impediriam a emissão física de voz permanecem adormecidos. Na maioria das vezes, as vocalizações resumem-se a sussurros, risadas ou murmúrios sem clareza.

Quando há a formação de palavras compreensíveis, o termo ‘não’ costuma ser o mais frequente, representando uma pequena parcela dos enunciados. Pesquisas apontam que os conteúdos falados frequentemente envolvem questionamentos, expressões ríspidas ou simulações de conflitos, coincidindo com o enredo onírico em cerca de oitenta por cento das ocorrências registradas em laboratórios.

Apesar da possibilidade de interagir brevemente com quem fala dormindo — respondendo a perguntas em metade das tentativas —, os especialistas ressaltam que não há respaldo científico para a crença popular de que seria possível extrair segredos ou confissões involuntárias da pessoa adormecida.

O fenômeno é considerado comum e afeta mais de dois terços das pessoas em algum momento da vida, sendo significativamente mais frequente na infância devido à maior proporção de sono de ondas lentas. Embora seja inofensivo e normal, o hábito pode indicar cansaço excessivo, servindo como um alerta para que o indivíduo coloque o sono em dia e busque horas adicionais de descanso.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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