Mensagens de texto e áudios extraídos do aparelho celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam uma relação de forte proximidade entre ele e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O material, que faz parte de investigações conduzidas pela Polícia Federal, traz trocas de elogios amigáveis, pedidos de ingressos para eventos festivos e referências a encontros e viagens.
As conversas obtidas demonstram um canal de comunicação frequente entre os dois personagens. Em um dos episódios destacados, datado de maio do ano passado, Vorcaro conversa com Motta sobre sua agenda de viagens e afirma que gostaria de estar em Mônaco com o parlamentar, seguido por uma ligação telefônica e o envio de orientações sobre a logística de um motorista.
Além das amenidades e interações sociais, o material recuperado pela PF complementa outras informações que já haviam vindo à tona, como tratativas relacionadas a um empréstimo de grande montante obtido por uma familiar do deputado junto ao Banco Master, instituição da qual Vorcaro era dirigente.
Em nota oficial enviada por sua assessoria de imprensa, Hugo Motta negou qualquer irregularidade em sua conduta. O parlamentar ressaltou que mantém diálogo constante com diversos setores da sociedade e do empresariado ao longo de seus quatro mandatos, enfatizando que os diálogos publicados estão descontextualizados e não configuram nenhum tipo de favorecimento ilícito.
O presidente da Câmara também declarou que o contrato de financiamento realizado por empresa privada com a instituição financeira ocorreu antes que viessem a público as investigações envolvendo o banco e seu antigo proprietário, reiterando confiança nos órgãos de persecução penal responsáveis pelas apurações.
A proximidade apontada nos registros telefônicos também se estende a outras figuras proeminentes da cúpula do Legislativo federal, a exemplo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cujas trocas de mensagens com o ex-banqueiro igualmente manifestam laços de afeto e amizade fraterna, alvo de contestações por parte da defesa do senador.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
