Foram cerca de 40 dias do outro lado do mundo, tempo suficiente para que a China deixasse de ser apenas um destino no roteiro do cantor Matu Miranda e se transformasse em parte de sua trajetória artística. Natural de Campo Grande (MS), ele passou uma temporada no país asiático para participar da gravação de um programa de televisão ao lado de artistas de outras 11 nacionalidades. Entre palcos, cidades futuristas, novas amizades e diferenças culturais, a experiência também fez com que enxergasse Mato Grosso do Sul de outra perspectiva.
Mais do que conhecer pontos turísticos, Matu conta que a duração da viagem permitiu ultrapassar aquela impressão inicial de quem chega a um país completamente diferente. A rotina esteve diretamente ligada à música, já que parte importante da estadia foi dedicada à gravação do programa. Foi justamente nesse ambiente que os encontros acabaram se tornando uma das principais lembranças trazidas na bagagem pelo cantor campo-grandense.
Estar diante de artistas e de um público com idiomas e referências tão diferentes também colocou à prova a capacidade da música de se comunicar quando as palavras deixam de ser suficientes. Para Matu, a experiência mostrou que a arte encontrou outros caminhos para atravessar essa distância cultural, reforçando que a melodia consegue ultrapassar fronteiras de uma maneira muito particular e universal.
Fora do ambiente artístico, o cotidiano chinês também entrou na lista de descobertas do cantor, destacando principalmente a presença da tecnologia em atividades corriqueiras como pagamentos, serviços e transportes. Outro ponto que chamou a atenção foi o equilíbrio entre a modernidade de arquiteturas futuristas e a preservação da história e da ancestralidade nas cidades visitadas.
A convivência intensa com os demais participantes do programa resultou em laços de amizade duradouros, especialmente com a cantora chinesa Curley G e com o cantor sérvio Princ. Para Matu, a vivência internacional agregou novos conceitos ao seu projeto Apuama, que aborda o movimento, a transformação e a ideia de carregar a própria casa dentro de si, tornando essa percepção ainda mais concreta.
Curiosamente, foi preciso atravessar o planeta para que algumas características de Mato Grosso do Sul ficassem ainda mais visíveis em sua obra. Ao observar o Brasil de longe, o músico percebeu com mais clareza o quanto suas raízes, ritmos e a relação com a natureza estão profundamente incorporados na maneira como cria e se comunica artisticamente.
Fonte: www.campograndenews.com.br
