Últimas notícias
DESTAQUES

Eleições 2026: a promessa cabe no palanque. E no orçamento?

Atribuições dos cargos somem nos discursos de campanha e dificultam a cobrança depois da eleição, exigindo atenção do eleitor sobre custos, fontes de recursos e limites de cada função.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Eleições 2026: a promessa cabe no palanque. E no orçamento?

A campanha eleitoral está repleta de verbos no futuro, como construir, ampliar, reformar e resolver. No entanto, o que frequentemente falta nos discursos é completar a frase com as devidas condições práticas: construir com qual dinheiro? Reformar por meio de qual lei? Resolver com uma decisão própria ou com o apoio de outros eleitos? Sem essas respostas, qualquer proposta pode soar convincente no palanque, mas desaparecer no primeiro encontro com a realidade orçamentária.

Na disputa pela Presidência da República, candidatos frequentemente defendem mudanças tributárias ou administrativas e apresentam projetos que exigem negociação política. Contudo, reformas estruturais não dependem apenas da assinatura de um decreto após a posse. Mudanças legais passam obrigatoriamente pelo Congresso, e alterações na Constituição exigem aprovação na Câmara e no Senado, em dois turnos, com votos de três quintos dos parlamentares de cada Casa.

A transparência nesse cenário exige que o candidato a presidente informe com clareza o que pretende mudar, quem será afetado e como buscará apoio para aprovar as medidas. O chefe do Executivo governa, mas não legisla sozinho, e o eleitor também escolhe deputados e senadores que poderão apoiar, alterar ou barrar as propostas apresentadas na campanha presidencial.

Na corrida pelo governo de Mato Grosso do Sul, as promessas costumam aparecer em números expressivos, como milhares de casas, quilômetros de asfalto e novos hospitais. Tais compromissos exigem questionamentos objetivos: qual é o custo estimado? O recurso já existe no caixa ou depende de novos financiamentos? A obra começa quando e, após concluída, quem pagará pela manutenção e pelos profissionais necessários para o seu funcionamento?

Uma estrada anunciada sem fonte de recursos pode ficar restrita ao papel, enquanto um hospital prometido sem previsão de equipe e custeio corre o risco de virar um prédio vazio à espera de atendimento. O planejamento adequado não reduz a força de uma proposta, mas garante ao eleitor condições reais de avaliar se ela tem chances de se concretizar.

A confusão se intensifica nas campanhas para o Poder Legislativo, onde candidatos a deputado muitas vezes se apresentam como futuros executores de obras e serviços. Deputados federais e estaduais propõem e votam leis, participam das decisões sobre o orçamento, apresentam emendas e fiscalizam o Executivo, mas não possuem o poder de construir pessoalmente escolas, comandar secretarias ou garantir de forma isolada a entrega de obras públicas.

Um candidato a deputado estadual interessado em melhorar a saúde pública pode detalhar os problemas que pretende investigar, as mudanças que defenderá no orçamento, a forma como acompanhará a aplicação dos recursos e as medidas que cobrará do governo. Trata-se de uma atuação relevante que perde espaço quando escondida atrás da promessa de executar funções que cabem a outro poder.

O eleitor tem o direito legítimo de exigir três respostas fundamentais de quem pede seu voto: o que o candidato de fato pode fazer no cargo pretendido, de onde virá o financiamento e de quem mais depende a aprovação da medida. Quando o postulante evita esses questionamentos, transfere ao cidadão o ônus da confusão política, facilitando justificativas posteriores para promessas não cumpridas.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano