A urna eletrônica permanece como um dos alvos recorrentes de desinformação no Brasil. Entre as alegações falsas amplamente difundidas nas redes sociais, destaca-se a narrativa infundada de que o país seria o único no mundo, ao lado de Venezuela e Cuba, a empregar tal sistema de votação.
Em contrapartida, dados consolidados pelo Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (Idea) revelam que pelo menos 34 países, de um total de 178 analisados, utilizam ou já recorreram a algum formato eletrônico em seus processos eleitorais oficiais. Cabe ressaltar que, embora a Venezuela figure no levantamento, Cuba não integra a relação de nações usuárias de tecnologia de voto eletrônico.
A pesquisa detalha que a gama de países que adotam essas tecnologias abrange diferentes continentes e inclui nações como Argentina, Estados Unidos, França, Índia, Canadá, Coreia do Sul e Austrália. No entanto, os especialistas pontuam que os modelos aplicados variam substancialmente, abrangendo desde urnas de gravação direta — semelhantes ao padrão brasileiro — até sistemas de leitura óptica de cédulas de papel e votações remotas pela internet.
O Brasil sobressai no cenário global pela abrangência e pelo tempo de consolidação do seu modelo. Completando 30 anos de história em outubro de 2026, a urna brasileira opera por meio de gravação direta e sem qualquer conexão com redes externas, internet, wi-fi ou Bluetooth, o que mitiga vulnerabilidades a ataques cibernéticos externos, conforme atesta a Justiça Eleitoral.
Além disso, diferentemente de algumas nações que abandonaram métodos digitais devido a receios de segurança ou falta de mecanismos de auditoria — a exemplo da Noruega e de Bangladesh —, o sistema nacional assegura a conferência pública e rigorosa de cada voto. O equipamento emite fisicamente o boletim de urna ao final do pleito e opera amparado por testes públicos de integridade e pelo Registro Digital do Voto.
Por fim, autoridades eleitorais reforçam que mitos sobre invasões virtuais, descarte irregular de dados ou supostas fraudes executadas por mesários não encontram respaldo na realidade operacional do sistema. A Justiça Eleitoral mantém canais oficiais de checagem, como a página Fato ou Boato, destinados a esclarecer e desmentir inverdades que circulam periodicamente a respeito da segurança das eleições brasileiras.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
