Usar testosterona ou passar por uma cirurgia de masculinização do tórax não significa eliminar o risco de câncer de mama. Para pessoas trans e não binárias, a necessidade de acompanhamento depende do tecido mamário presente, da idade, do histórico familiar e do uso de hormônios, conforme alerta a endocrinologista Renata Maksoud Bussuan, professora da Afya Educação Médica em Campo Grande.
Segundo a especialista, a identidade de gênero, por si só, não determina quais exames preventivos uma pessoa precisa realizar. A avaliação clínica deve considerar quais órgãos e tecidos o paciente mantém, se houve algum procedimento cirúrgico, o tempo de exposição a terapias hormonais, além de fatores genéticos e individuais.
Homens trans e pessoas não binárias designadas como do sexo feminino ao nascer que mantêm as mamas entram na recomendação de mamografia de rotina do Ministério da Saúde. No SUS, o rastreamento é indicado a cada dois anos para indivíduos dos 50 aos 74 anos que não apresentem sinais ou sintomas suspeitos da doença.
A cirurgia de masculinização do tórax também exige cautela na avaliação médica, pois o procedimento nem sempre retira todo o tecido mamário. No caso das mulheres trans que utilizam estrogênio, o desenvolvimento das mamas ocorre como efeito da terapia hormonal, o que exige monitoramento contínuo compatível com a idade e os fatores de risco.
Estudos indicam que mulheres trans em terapia hormonal apresentam risco de câncer de mama maior do que homens cisgênero, embora menor do que o observado em mulheres cisgênero. No entanto, a médica reforça que ainda existem limitações nas pesquisas de longo prazo voltadas especificamente para essa população.
A especialista diferencia o rastreamento periódico da investigação de sintomas. Sinais de alerta como caroços na mama ou na axila, alterações na pele, secreções e mudanças repentinas no formato do órgão exigem exames diagnósticos imediatos, independentemente da faixa etária estabelecida para as rotinas preventivas.
Fonte: www.campograndenews.com.br
