Os países envolvidos nas negociações para estabelecer o primeiro tratado global com o objetivo de limitar a poluição causada por plástico apresentam um nível menor de divisão em comparação aos períodos anteriores. Segundo declarações do embaixador chileno Julio Cordano, que comanda as conversas, existe a possibilidade real de que um acordo definitivo seja alcançado em março do ano que vem.
O processo de debates foi iniciado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2022, mas as tratativas oficiais realizadas na Coreia do Sul em 2024 acabaram encerradas sem a obtenção de um consenso. No ano seguinte, o assunto voltou à pauta em Genebra, embora também tenha terminado sem avanços concretos.
Grande parte das nações participantes exige a adoção de medidas firmes, ambiciosas e de cumprimento obrigatório para conter a fabricação de plástico. Projeções indicam que a produção desse material pode vir a triplicar até o ano de 2060 caso nenhuma ação restritiva seja implementada em escala global.
Em contrapartida, um bloco composto majoritariamente por nações produtoras de petróleo — entre as quais se destacam Arábia Saudita, Kuwait e Rússia — mantém firme oposição às restrições diretas. Esse grupo defende que a estratégia ideal para lidar com o problema seria focar em uma gestão mais eficiente dos resíduos.
Cordano, que assumiu a presidência das conversações no início de 2026, divulgou recentemente uma minuta preliminar de um possível tratado. O documento traz entre parênteses os pontos mais polêmicos que causaram o colapso das rodadas passadas, tais como a imposição de tetos para a produção de plástico, menções diretas à saúde humana e a categorização de substâncias químicas e produtos problemáticos.
Apesar dos impasses persistentes, o diplomata manifestou otimismo após conversas informais mantidas a portas fechadas com chefes de delegação em Bancoc, na Tailândia. Ele destacou que os países estão consideravelmente mais próximos do que uma divisão binária irreconciliável e que, seguindo o mapa do caminho apresentado, o tratado poderá ser formalmente adotado na próxima reunião oficial de março.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
