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Na oficina, mulheres trocam dependência por autonomia debaixo do capô

Turma de Mecânica Básica Automotiva no Senai reúne 40 mulheres em busca de autonomia, conhecimento prático e superação de mitos sobre veículos.

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Na oficina, mulheres trocam dependência por autonomia debaixo do capô

Um grupo de 40 mulheres participa de um curso de Mecânica Básica Automotiva em Campo Grande, desfazendo o mito de que o universo dos automóveis é exclusivo para o público masculino. A formação, oferecida pelo Senai, conta com 20 horas de aulas práticas realizadas às sextas-feiras na Fatec Senai, com término previsto para o final de outubro. A alta procura gerou inclusive lista de espera para uma próxima edição.

Entre as alunas está Telma Regina da Silva, de 64 anos, que esperou mais de cinco décadas para realizar um sonho de infância. Na época em que tinha cerca de 10 anos, ela apenas observava os tios que trabalhavam com tratores e mecânica, tendo permissão apenas para lavar peças. Casada jovem e dedicada aos filhos, ela viu o tempo passar sem oportunidade de aprender formalmente até que uma colega do Cras avisou sobre a turma voltada para mulheres.

A poucos metros de Telma na oficina está Luciene Novaes, de 31 anos, servidora pública que acumula passagens por cursos de marcenaria, eletricidade e solda. Para Luciene, a motivação nasceu de experiências cotidianas como motorista, após ter saído de oficinas com a sensação de pagar mais do que o necessário simplesmente por não saber questionar os diagnósticos apresentados pelos profissionais.

O conteúdo programático aborda desde o significado das luzes do painel até o funcionamento do motor, prazos para troca de óleo e substituição de pastilhas de freio. O instrutor Daniel Damazio ressalta que grande parte do aprendizado ocorre de maneira prática, servindo tanto para quem deseja cuidar melhor do próprio automóvel quanto para aquelas que pretendem ingressar profissionalmente no setor automotivo.

De acordo com a coordenadora de educação profissional Camila Salles, a presença feminina em cursos historicamente associados a homens deixou de ser exceção na instituição. O Senai também abriu formações voltadas a mulheres em áreas como construção e fabricação de móveis, acompanhando uma demanda crescente da própria indústria por diversidade de mão de obra.

Para as alunas que ocupam as bancadas da oficina, no entanto, o aprendizado vai além das estatísticas de mercado. Representa a conquista de independência para lidar com imprevistos, entender os custos de manutenção e, no caso de Telma, finalmente ocupar um espaço que antes era apenas observado à distância.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano