O estado do Paraná figura na terceira colocação nacional em número de casos confirmados da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), contabilizando 44 registros em um intervalo de 17 anos. Os dados fazem parte de um abrangente mapeamento realizado pelo Ministério da Saúde, que analisou 1.576 notificações suspeitas inseridas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) entre os anos de 2005 e 2021, resultando na confirmação de 547 diagnósticos em todo o território brasileiro.
A enfermidade, de natureza neurodegenerativa rara e que atualmente não possui cura, obteve grande repercussão pública em âmbito nacional após vitimar o influenciador digital Lito Sousa, conhecido por seu trabalho no canal Aviões e Música. No ranking geral do país, o território paranaense fica posicionado atrás apenas de São Paulo, que lidera o índice com 202 ocorrências, e de Minas Gerais, que soma 57 confirmações, ficando à frente de estados como o Rio de Janeiro, com 38, e o Rio Grande do Sul, que registra 35 casos.
De acordo com as informações técnicas divulgadas pelo governo federal, a condição acomete majoritariamente a população mais idosa, exibindo um progresso clínico severo e extremamente rápido. O levantamento estatístico apontou que a faixa etária compreendida entre 55 e 74 anos concentrou 60,2% de todas as notificações no Brasil, com uma idade média de 66 anos identificada entre os pacientes que passaram por investigação médica.
Baseando-se em literatura científica respaldada pelo Ministério da Saúde, cerca de 90% das pessoas acometidas pela patologia acabam falecendo entre o período de seis meses a um ano após o surgimento inicial dos sintomas, sendo o tempo médio de sobrevida estimado em apenas cinco meses. Durante o recorte temporal avaliado pelo boletim epidemiológico, o sistema contabilizou 290 óbitos no universo de notificações investigadas em solo brasileiro.
O Ministério da Saúde fez questão de esclarecer que nenhuma ocorrência computada no Paraná ou em demais unidades federativas teve relação com a nova variante da DCJ, modalidade esta associada à ingestão de carne bovina contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina, amplamente conhecida como a “doença da vaca louca”. Desde que a enfermidade passou a integrar a lista de agravo de notificação compulsória em 2005, o país não registrou nenhum caso ou óbito originado por essa variação específica, sendo a forma esporádica — sem vínculo alimentar e de causa ainda não totalmente esclarecida pela ciência — a responsável por praticamente a totalidade dos quadros nacionais.
A doença de Creutzfeldt-Jakob integra o grupo das chamadas enfermidades priônicas, nas quais ocorre a alteração estrutural de proteínas já presentes de maneira natural no cérebro humano. Ao sofrerem tal deformação, passam a desencadear um efeito dominó que modifica as demais proteínas, culminando na rápida degradação do sistema nervoso central e exigindo exames clínicos complexos e combinados para a precisa confirmação diagnóstica.
Fonte: tnonline.uol.com.br
