As gerações mais jovens dificilmente se lembram da dinâmica de comparecer à seção eleitoral, receber uma cédula de papel contendo os nomes dos postulantes, preencher os escolhidos utilizando uma caneta e depositar o documento dobrado em uma urna de lona. Após o encerramento da votação, a sociedade precisava aguardar vários dias para conhecer os nomes dos novos deputados, senadores, governadores e do presidente da República. No entanto, o sistema completou três décadas desde a introdução da maior transformação eleitoral do país: a urna eletrônica.
Não constitui exagero afirmar que a tecnologia representa um motivo de orgulho para o cenário nacional. Enquanto diversas nações desenvolvidas continuam utilizando cédulas impressas e demoram dias para divulgar os resultados finais, o Brasil consegue apurar e conhecer seus representantes em poucas horas, no próprio dia do pleito. Todo esse desempenho ocorre por meio de uma estrutura digital considerada segura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O modelo anterior, baseado em papel, acumulava fragilidades expressivas. A contagem manual exigia dias de trabalho e abria brechas para fraudes. Um dos esquemas históricos mais conhecidos era o da chamada ‘urna grávida’, situação em que cédulas preenchidas antecipadamente eram inseridas no compartimento antes do início oficial da votação pública.
O processo de modernização na Justiça Eleitoral teve início em 1995, reunindo especialistas de diferentes frentes, incluindo as Forças Armadas e os ministérios da Ciência e Tecnologia e das Comunicações. O equipamento estreou oficialmente nas eleições municipais de 1996, recebendo inicialmente o nome técnico de Coletor Eletrônico de Votos (CEV).
Com o passar dos anos, o dispositivo passou por inovações contínuas voltadas para aprimorar a segurança e ampliar a acessibilidade. Em 1998, as telas passaram a exibir as fotografias dos candidatos. Em 2002, foram implementadas a cerimônia pública de lacração e os testes de integridade. A partir de 2006, iniciou-se a adoção da identificação biométrica, enquanto em 2022 o hardware ganhou maior capacidade de processamento e tela sensível ao toque para os mesários.
Neste aniversário de 30 anos, o equipamento continua incorporando recursos modernos. As telas agora contam com intérpretes de Libras para orientar sobre votos nulos, brancos e legendas, além de barras de progresso e indicadores da quantidade de dígitos necessários para cada cargo. Com dezenas de camadas de auditoria e isolamento total de redes como internet, wi-fi ou bluetooth, a Justiça Eleitoral mantém o histórico de nenhuma fraude comprovada ao longo de três décadas de funcionamento.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
