Cotada para ocupar uma pasta ministerial na área social em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques declarou que o senador pretende encerrar o sistema de split payment caso seja eleito. A ferramenta, prevista para começar a funcionar de forma opcional no segundo semestre de 2027, realiza a separação e o recolhimento automático de tributos em transações entre empresas.
Em entrevista recente concedida ao canal do jornalista Claudio Dantas no YouTube, Marques argumentou que o mecanismo afeta negativamente o capital de giro das empresas. Ela criticou os efeitos da ferramenta sob a ótica do fluxo financeiro corporativo, associando o modelo a uma asfixia das operações comerciais de menor porte.
Questionada diretamente sobre a possibilidade de anular o dispositivo tributário, a ex-presidente da Caixa confirmou que a medida seria adotada. Contudo, especialistas e técnicos apontam que uma revogação dessa magnitude exigiria não apenas diretrizes do governo federal, mas também o aval formal do Comitê Gestor integrado por representantes de estados e municípios.
Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro tem intensificado as críticas relacionadas aos rumos da reforma tributária e aos impactos potenciais do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Em declarações públicas em Brasília, após reuniões com lideranças partidárias do Progressistas e do União Brasil, o parlamentar questionou a futura alíquota do IVA e prometeu buscar alternativas para aliviar a carga tributária, com foco especial na desoneração da folha de pagamento.
Enquanto a campanha oposicionista debate alternativas para enxugar a carga tributária e cortar subsídios específicos, o debate sobre o split payment e suas alternativas — como a guia de pagamento RAD — continua gerando divergências entre analistas econômicos, defensores da reforma e representantes dos diversos setores produtivos do país.
A discussão ocorre em um cenário de intensa busca por esclarecimentos públicos sobre as mudanças estruturais propostas pela reforma tributária, cujos impactos fiscais e operacionais seguem como um dos principais eixos dos debates políticos e econômicos nacionais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
