
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso em sua residência, na cidade de Assunção, na noite desta sexta-feira (6). A ordem foi emitida pelo Ministério Público logo após o Senado aprovar a sua destituição do cargo. A medida ocorre no âmbito das investigações sobre o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que contava com cerca de 3 milhões de clientes.
A saída do ex-mandatário foi decidida de forma unânime pelos 44 senadores presentes na sessão de impeachment. Um dia antes, na quinta-feira (5), Peña havia anunciado a sua renúncia, mas o Congresso recusou o pedido e deu seguimento ao julgamento político, que já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados por 78 votos. Com a destituição, ele perdeu o direito à cadeira vitalícia no Senado e, consequentemente, a imunidade parlamentar.
Crise financeira e investigações
A investigação apura suspeitas de irregularidades na gestão de recursos públicos e possíveis conflitos de interesses ligados ao banco, cujo cenário financeiro se deteriorou e levou a uma intervenção do Banco Central do Paraguai. A situação gerou dificuldades para milhões de correntistas acessarem seus saldos e motivou protestos no país. Documentos patrimoniais indicam que Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até abril de 2025 e nega a prática de crimes.
As apurações também concentram-se em aplicações de dinheiro público feitas no banco por órgãos como o Instituto de Previdência Social (IPS), o Ministério da Economia e as entidades binacionais Itaipu e Yacyretá. Enquanto agentes da Polícia Nacional executavam a ordem de prisão domiciliar, Pedro Alliana, que atuava como vice-presidente, tomou posse do comando do país em uma cerimônia realizada no Congresso para cumprir o restante do mandato, que vai até agosto de 2028.
