Últimas notícias
BRASIL

Morre Zélia Amador de Deus, pioneira na educação e na luta antirracista, aos 76 anos

Professora, artista e militante, Zélia Amador de Deus foi a primeira vice-reitora negra da UFPA e deixou um legado histórico para a sociedade brasileira.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Morre Zélia Amador de Deus, pioneira na educação e na luta antirracista, aos 76 anos

Faleceu na última terça-feira (8), aos 76 anos, a professora, artista e militante do movimento negro paraense Zélia Amador de Deus. Ela marcou a história acadêmica brasileira ao se tornar a primeira vice-reitora negra da Universidade Federal do Pará (UFPA), cargo que ocupou entre 1993 e 1997. Ao lado da engenheira agrônoma Nilma Bentes, Zélia também foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa).

Nascida na Ilha do Marajó em 24 de outubro de 1949, na fazenda Soure, era filha de mãe solo. Mudou-se na juventude para a periferia de Belém com a família, composta pela mãe, empregada doméstica, e pelos avós, que trabalhavam na construção civil e como lavadeira. Sua trajetória de superação pessoal antecedeu uma brilhante carreira dedicada ao magistério e às ciências sociais.

Zélia especializou-se em teoria literária e concluiu seu doutorado em ciências sociais na própria UFPA, além de ter obtido o mestrado em estudos literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1988. Sua contribuição acadêmica e social também foi reconhecida com o título de doutora honoris causa pela Universidade Estadual do Pará e, em 2020, ao tornar-se a primeira mulher negra a receber o título de professora emérita da UFPA.

Sua atuação nunca esteve desassociada da cultura e da arte. Ela participou do grupo de teatro Cena Aberta e esteve à frente da direção do Centro de Letras e Artes da UFPA no início da década de 1990. Para ela, a manifestação artística e a política caminhavam juntas, defendendo que a cultura negra atua como um instrumento fundamental de resistência e emancipação.

No campo político, integrou organizações de oposição à ditadura militar na juventude e destacou-se internacionalmente ao fazer parte da delegação brasileira na Conferência das Nações Unidas Contra o Racismo, Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001. A sua participação nesse fórum foi crucial para a formulação e posterior consolidação das políticas de ação afirmativa e da Lei de Cotas no país.

O falecimento repercutiu profundamente em instituições de ensino, órgãos de pesquisa e organizações sociais. O Governo do Pará decretou luto oficial de três dias, enquanto entidades como Embrapa, Imazon, Criola e Geledés prestaram homenagens públicas. Zélia Amador de Deus deixa o companheiro Anselmo Bentes de Oliveira, o irmão Carlos Cezar Amador de Deus, três enteados e um legado indelével para gerações de educadores e ativistas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Escrito por

admin