O Supremo Tribunal Federal atravessa o momento mais delicado e complexo de sua trajetória institucional, mergulhado em uma crise sem precedentes. Fazendo alusão a uma célebre frase do juiz norte-americano Oliver Wendell Holmes Jr. sobre a Suprema Corte dos Estados Unidos, o tribunal brasileiro — que atualmente opera com dez ministros devido a uma cadeira vaga — vive um cenário de intensos conflitos internos e choques de vaidades.
Especialistas e observadores apontam que, se fossem isolados os atritos decorrentes de choques de egos e de surtos de onipotência, restaria muito pouco da crise atual. Não há divergências profundas de políticas públicas separando figuras centrais da Corte, como Alexandre de Moraes e André Mendonça, evidenciando que o desgaste institucional decorre de posturas individuais e controvérsias ligadas a relações pessoais.
O cotidiano do tribunal também é marcado por rituais que reforçam o distanciamento institucional, como o serviço prestado pelos chamados ‘capinhas’, funcionários cuja função inclui puxar as cadeiras para que os ministros se sentem ou se levantem, sob a justificativa de evitar que as togas se enrosquem nas rodinhas dos assentos.
No centro da atual turbulência estão episódios envolvendo diretamente ministros como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e André Mendonça. Toffoli e Moraes ingressaram no processo relativo ao Banco Master em circunstâncias que geraram questionamentos, buscando inicialmente blindar informações e restringir o acesso aos desdobramentos das investigações.
A gravidade da situação levou ministros a se exporem publicamente, confiando em uma suposta invulnerabilidade que acabou por comprometer tanto suas próprias biografias quanto a imagem pública de toda a instituição perante a sociedade brasileira.
A gravidade do desgaste já havia sido alertada internamente pela ministra Cármen Lúcia, que destacou o forte sentimento de rejeição da população em relação ao STF. Diante das revelações da Polícia Federal sobre a venda de parte do resort Tayayá, a Corte inicialmente buscou blindar seus integrantes, enquanto episódios de embate verbal entre os magistrados evidenciaram a profunda divisão interna na cúpula do Judiciário.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
