A trajetória de Claudete Ribeiro Velloso foi marcada por uma profunda generosidade e por uma constante capacidade de reinvenção. Para ela, a culinária nunca teve o propósito exclusivo de saciar a fome; pães, salgados e tortas serviam como o principal veículo para reunir pessoas, demonstrar carinho genuíno e assegurar que ninguém ficasse desamparado. Essa vocação para acolher refletia uma personalidade atenta aos detalhes e profundamente dedicada ao próximo.
Natural de Joinville, em Santa Catarina, onde nasceu em 1944, Claudete iniciou sua jornada de mudanças ainda na infância, quando embarcou de navio com a mãe e a irmã rumo ao Rio de Janeiro. Criada em Campos dos Goytacazes até os 11 anos na residência de sua avó — que atuava como benzedeira e parteira —, ela conviveu com um ambiente de forte espiritualidade e rituais ligados à entidade Vovó Maria Conga, lembranças que preservou por toda a vida.
Aos 18 anos, fixou residência em São Paulo, cidade onde passou a morar novamente com a mãe. Profissionalmente, atuou como monitora de crianças, corretora de imóveis, vendedora e auxiliar de enfermagem, profissão na qual construiu sólida carreira passando por hospitais renomados como Bandeirantes, Clínicas e Santa Paula, encerrando suas atividades ali com a aposentadoria.
Mesmo após a aposentadoria, Claudete continuou a buscar novos horizontes, dedicando-se à costura, à pintura e à organização de excursões memoráveis para destinos como a Caverna do Diabo e o tradicional Banho da Doroteia, em Ilhabela, mobilizando familiares e amigos em ônibus que partiam diretamente de sua rua. Foi apelidada carinhosamente pelo marido, Carlos Alberto Velloso, de ‘Zica’, devido ao temperamento forte que manifestava diante das pequenas contrariedades cotidianas.
Além de sua dedicação à família e aos amigos, a foliona nutria uma paixão intensa pelo Carnaval, torcendo pelas agremiações Vai-Vai e Portela, além de coordenar por vários anos a ala das Baianas da Sociedade Rosas de Ouro. Esse envolvimento direto com os desfiles e ensaios moldou inclusive a trajetória de seu filho Vitor, que seguiu os passos maternos e se tornou mestre de bateria.
Claudete faleceu no dia 26 de agosto, aos 82 anos de idade, em decorrência de complicações de um câncer de intestino associado a uma parada respiratória. Ela deixa os filhos Paulo César, Valéria e Vitor, o enteado Ricardo — a quem considerava um filho de coração —, além de seis netos, deixando saudades naqueles que conquistaram seu afeto leal e generoso ao longo da vida.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
