O Kennedy Center, considerado o principal centro de artes cênicas de Washington, nos Estados Unidos, enfrenta um cenário crítico que pode resultar no fechamento de seu edifício principal já nesta terça-feira. Documentos obtidos pelo jornal americano The Washington Post revelam que os dirigentes da instituição debatem medidas drásticas diante de um risco iminente de colapso financeiro nas próximas semanas.
A grave crise econômica enfrentada pelo complexo cultural decorre de uma forte retração nas receitas. Projeções internas apontavam uma arrecadação estimada em US$ 124 milhões para um período fiscal em que a previsão inicial era de US$ 220 milhões. Mesmo após a implementação de cortes nos gastos, a instituição previa um déficit operacional da ordem de US$ 23 milhões.
Diante do pacote de informações distribuído ao conselho de administração, os conselheiros foram convocados para analisar propostas emergenciais voltadas ao enfrentamento da situação financeira e à determinação do encerramento imediato das atividades no prédio. A direção aponta que o centro poderá enfrentar dificuldades severas para quitar salários e contratos de manutenção a curto prazo.
Além da pressão orçamentária, relatórios de engenharia apontam riscos severos à segurança do edifício. Durante uma tempestade recente no início de setembro, uma porção significativa do forro de gesso desabou de uma altura de 18 metros. Inspetores também identificaram dezenas de painéis com corrosão estrutural grave na cobertura, levando especialistas a concluírem que o local não oferece condições seguras para ocupação contínua.
A gestão atual discute alternativas de apoio político e financeiro, incluindo propostas associadas ao presidente Donald Trump para a criação de um fundo de doações e a realização de reformas. No entanto, a inclusão do nome do presidente na fachada da instituição tem sido alvo de contestações judiciais anteriores, limitando manobras administrativas rápidas.
Caso a medida de fechamento seja aprovada pelo conselho, o plano prevê que as apresentações e demais atividades artísticas sejam migradas para espaços alternativos, enquanto o complexo principal passa por avaliações rigorosas e obras de reestruturação para mitigar os riscos aos frequentadores e funcionários.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
