O reverendo Arival Dias Casimiro deixou o posto de pastor titular da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP) após firmar um acordo na Justiça do Trabalho com uma ex-funcionária que o acusou de assédio moral, sexual e abuso espiritual. A saída do líder religioso ocorre em meio a intensos questionamentos internos na comunidade presbiteriana sobre sua permanência em uma das congregações mais influentes da denominação no país.
Em nota oficial emitida aos membros, a assessoria da IPP comunicou que o reverendo optou por pedir licença em comum acordo com o conselho da igreja, visando preservar a instituição e sua própria família. A denúncia partiu de uma trabalhadora vinculada à Junta Missionária de Pinheiros, que ingressou com uma ação judicial em maio de 2025 relatando condutas impróprias e investidas por parte do superior.
Segundo os relatos apresentados no processo judicial, a ex-funcionária apontou que o pastor realizava abordagens invasivas diárias, com abraços excessivos, piadas e comentários recorrentes sobre sua aparência física e vestimentas. Além disso, a vítima detalhou o envio frequente de mensagens de teor pessoal por meio de aplicativos de mensagens entre os anos de 2022 e 2024, aproveitando-se de sua posição hierárquica e religiosa.
A repercussão do caso gerou desconforto entre os fiéis após a divulgação de que o acordo homologado pela Justiça do Trabalho encerrou o litígio sem reconhecimento formal de culpa ou sentença de mérito, embora a igreja tenha admitido internamente que o ministro enviou mensagens inadequadas. Membros da comunidade criticaram o que consideraram uma postura branda frente às acusações detalhadas pela defesa da trabalhadora.
O episódio também ganhou tração no momento em que a cúpula da Igreja Presbiteriana do Brasil buscava endurecer diretrizes sobre a circulação de conflitos em ambientes digitais, aprovando recentemente resoluções contra a chamada maledicência na internet. Até o momento, a denominação não esclareceu se o afastamento de Arival Dias Casimiro possui caráter definitivo ou se ele retornará a exercer funções eclesiásticas futuras.
A reportagem tentou contato com o reverendo por telefone e mensagens para obter posicionamento oficial, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O desdobramento do caso segue monitorado internamente pelas lideranças e pelos órgãos deliberativos da igreja em São Paulo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
