A Santa Casa de Campo Grande não está apenas em crise financeira. O maior hospital de Mato Grosso do Sul encontra-se em uma verdadeira UTI administrativa, cercado por filas, falta de medicamentos, escassez de produtos essenciais, atrasos nos pagamentos e constantes ameaças de paralisação dos serviços.
Agora, as suspeitas de fraudes e desvios milionários que passaram a ser investigadas pela polícia tornam ainda mais grave a situação da instituição. A investigação precisa avançar com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal, sem espaço para silêncio ou explicações superficiais quando há dinheiro da saúde pública em jogo.
A instituição é indispensável para o estado, recebendo pacientes de Campo Grande e de dezenas de municípios do interior, muitos encaminhados em estado grave. Quando o hospital falha, toda a rede pública sofre o impacto, sobrecarregando as unidades de pronto atendimento e multiplicando o sofrimento dos pacientes.
O problema estrutural arrasta-se há anos, marcado por um profundo desequilíbrio financeiro. Governo do Estado e Prefeitura municipal realizam repasses e anunciam socorros emergenciais, mas as medidas funcionam apenas como aparelhos para manter o hospital respirando temporariamente diante de uma estrutura complexa.
Há também uma responsabilidade clara do Governo Federal, uma vez que os valores pagos pela tabela do SUS estão defasados e não cobrem o custo real dos procedimentos, empurrando hospitais filantrópicos para um ciclo vicioso de endividamento constante.
Por outro lado, a baixa remuneração federal não justifica desorganização ou eventuais desvios. Brasília precisa atualizar os valores, enquanto estado e município devem garantir financiamento adequado, e a direção do hospital tem a obrigação intransigível de prestar contas detalhadas do uso dos recursos públicos.
Fonte: www.campograndenews.com.br
