Um áudio interceptado pelas investigações da Operação Antidotum, que apura desvios de recursos na Santa Casa de Campo Grande, escancarou suspeitas levantadas por médicos que atuam no maior hospital de Mato Grosso do Sul. Entre os pontos de destaque está a contratação do Instituto Nóbrega, fundado pela médica nutróloga Renata Domingues de Nóbrega, esposa do humorista e apresentador Carlos Alberto de Nóbrega.
O Procedimento de Investigação Criminal que embasou a operação traz uma conversa atribuída ao então gerente administrativo do hospital, Alessandro Dias Junqueira. Em um áudio enviado pelo WhatsApp em 14 de fevereiro, ele comenta críticas feitas por médicos durante uma reunião sindical, afirmando que os profissionais questionaram duramente a contratação vinculada à mulher do artista.
Embora o Ministério Público de Mato Grosso do Sul não aponte o Instituto Nóbrega como integrante direto do esquema principal investigado, o acordo já acumulava questionamentos anteriores. Em 2025, uma declaração anônima encaminhada ao Núcleo de Apoio Especial à Saúde elencou motivos como o aumento do custeio e a qualificação de profissionais trazidos de outros estados para questionar a empresa.
O Instituto Nóbrega assumiu o serviço de Neurocirurgia da Santa Casa em 16 de setembro de 2024, com contrato inicial previsto para 24 meses e teto de até R$ 650 mil mensais, dependendo de metas de desempenho. O acordo também previa um repasse antecipado de R$ 520 mil como caução para implantação da equipe, além de cobranças separadas por procedimentos judiciais.
Apesar de prever duração de dois anos, o vínculo foi encerrado antecipadamente por acordo mútuo em 6 de junho de 2025, após cerca de nove meses de vigência. O termo de distrato devolveu a execução da Neurocirurgia à própria Santa Casa, reconhecendo que a empresa havia respondido às notificações recebidas e quitando valores finais remanescentes.
A Operação Antidotum foi deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção com apoio do Gaeco, resultando na prisão preventiva de seis pessoas, incluindo a presidente da instituição, Alir Terra Lima. As investigações apontam um prejuízo inicial de pelo menos R$ 4,9 milhões envolvendo frentes de contratos sob suspeita no hospital.
Fonte: www.campograndenews.com.br
