Um grupo formado por organizações que monitoram as contas públicas brasileiras formalizou, nesta terça-feira (15), um pedido para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino abra uma investigação. O objetivo é verificar se os nomes encontrados em um papel dentro da churrasqueira do senador Ciro Nogueira (PP-PI) possuem relação com o esquema conhecido como “Orçamento Secreto”.
A solicitação ocorre após a realização da 5ª fase da Operação Compliance Zero, na qual a Polícia Federal encontrou uma lista com nomes de deputados e prováveis valores em um conjunto de documentos que estava na churrasqueira da residência do parlamentar em Brasília. O pedido foi apresentado conjuntamente pela Transparência Internacional – Brasil, pela Transparência Internacional e pela Associação Contas Abertas ao ministro Dino, que é o relator do inquérito que analisa a má aplicabilidade das emendas parlamentares.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, uma funcionária doméstica relatou ter sido orientada por Ciro Nogueira a queimar os documentos encontrados na churrasqueira por serem velhos. No entanto, a incineração não foi realizada por falta de tempo hábil. O documento principal destacado pelos investigadores traz o título “Câmara” e lista primeiros nomes acompanhados de números que a corporação aponta como sendo, provável e originariamente, valores financeiros.
A lista apreendida pela PF cita nomes como Arthur, Hugo, Elmar, Luizinho, Adolfo, Isnaldo, Diego, Altineu e Netinho. Os investigadores ressaltam que, embora a Polícia Federal não afirme categoricamente que existe uma relação direta entre os registros e o senador, as organizações autoras do pedido sustentam que a informação aponta para uma possível distribuição de recursos públicos entre parlamentares e outras pessoas.
As entidades argumentam que a associação desses nomes a práticas de repartição do orçamento federal é plausível, citando evidências de que o senador Ciro Nogueira teria atuado como operador do “Orçamento Secreto” durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento também lembra que a mãe e suplente do senador, Eliana Nogueira, figurou como uma das principais beneficiárias de indicações de verbas no segundo semestre de 2021.
Em nota, as assessorias dos parlamentares citados manifestaram repúdio e desconhecimento sobre as anotações. A assessoria de Arthur Lira afirmou que ele desconhece os registros. Hugo Motta classificou a associação como um absurdo e um documento apócrifo. Elmar Nascimento repudiou a menção e criticou o que chamou de momento policialesco. As equipes de Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões também foram procuradas para manifestação.
Fonte: g1.globo.com
