Em seu discurso anual ao Parlamento Europeu realizado nesta quarta-feira (16), em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o Canadá poderá vir a se tornar um ‘membro associado’ da União Europeia. A declaração foi feita na presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que acompanhou o evento na qualidade de convidado de honra e primeiro mandatário estrangeiro a participar da sessão.
Dirigindo-se diretamente a Carney, Von der Leyen ressaltou que a Europa e o Canadá compartilham firmemente os mesmos valores democráticos. A dirigente pontuou que as democracias possuem a total liberdade para decidir com quem desejam trabalhar, unindo forças de maneira estritamente voluntária em prol do fortalecimento mútuo da soberania e da cooperação internacional.
Embora as normativas tradicionais da União Europeia determinem que apenas nações situadas no continente europeu façam parte do bloco econômico, autoridades de Bruxelas e o próprio Parlamento parecem ter encontrado um caminho alternativo para estreitar ainda mais os laços estratégicos existentes com o país norte-americano, elevando a parceria ao patamar mais alto possível.
Apesar de a presidente não ter detalhado publicamente os mecanismos técnicos de como essa associação ocorrerá, a presença de Mark Carney em solo europeu evidencia que as conversas diplomáticas estão avançadas. O premiê canadense ainda tem programado um pronunciamento oficial aos eurodeputados, dando continuidade à recepção calorosa recebida na véspera.
Especialistas apontam que o alinhamento inédito ocorre em um momento de crescentes tensões comerciais e políticas impulsionadas pelo retorno de Donald Trump à Casa Branca, contexto no qual o Canadá tem adotado uma postura firme de defesa do multilateralismo. A visita de Carney consolida sua liderança na articulação de potências médias globais diante de cenários de maior beligerância internacional.
Além da inédita abertura ao Canadá, o discurso de Ursula von der Leyen abrangeu outros temas centrais para a agenda europeia, como o contínuo apoio à Ucrânia, o combate à imigração ilegal e o anúncio de novas diretrizes regulatórias voltadas à proteção de menores de idade no ambiente digital, por meio do futuro ‘Kids Act’.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
