Os Estados Unidos negaram novamente ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o visto para comparecer à Assembleia Geral da ONU em Nova York, conforme informado à agência AFP por uma fonte próxima ao caso. É o segundo ano consecutivo que o líder palestino é impedido de entrar em território americano para participar do principal evento das Nações Unidas.
Em comunicado oficial, o Departamento de Estado americano justificou a decisão afirmando que manterá restrições a organizações palestinas. O órgão apontou a incapacidade da gestão em realizar reformas prometidas aos EUA, além de atividades persistentes que comprometeriam as perspectivas de paz e visariam internacionalizar o conflito por meio de instâncias como o Tribunal Penal Internacional e a Corte Internacional de Justiça.
No ano passado, o governo de Donald Trump adotou a mesma medida restritiva, obrigando Mahmoud Abbas a discursar no evento da ONU de forma remota, por videoconferência. Washington acusa reiteradamente a liderança palestina de descumprir compromissos voltados à estabilidade no Oriente Médio e de buscar reconhecimento unilateral em vez de negociações diretas.
A postura adotada pela administração americana reforça o alinhamento político com o governo do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Washington também criticou a Autoridade Palestina por manter o pagamento de benefícios a terroristas e por supostamente glorificar atos de violência em declarações públicas e em materiais educacionais.
Com essa diretriz, a diplomacia dos EUA distancia-se de diversos países que vêm manifestando apoio ao reconhecimento de um Estado palestino. A tensão ocorre em um cenário de agravamento da violência na Cisjordânia, onde colonos e forças israelenses têm protagonizado confrontos e mortes desde o acirramento do conflito deflagrado em outubro de 2023.
Ademais, a utilização de negativas e cassações de vistos tem sido recorrente na política externa recente do governo Trump. O expediente já foi aplicado em episódios diplomáticos envolvendo autoridades de outros países, como o Brasil, evidenciando o uso de restrições migratórias como ferramenta de pressão geopolítica.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
