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União Europeia oferece vaga ao Canadá e acena para o Brasil e outras potências médias

Em discurso anual em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, abriu a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado do bloco, em iniciativa que também visa aproximar potências como o Brasil.

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União Europeia oferece vaga ao Canadá e acena para o Brasil e outras potências médias

Durante o discurso anual sobre o Estado da União realizado em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, surpreendeu ao sinalizar a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da União Europeia. A proposta inédita foi apresentada diretamente ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que acompanhava a sessão na primeira fila do Parlamento Europeu.

A iniciativa não deve se restringir apenas ao território canadense. Bernd Lange, responsável pela comissão de comércio do Parlamento Europeu, pontuou que o bloco comunitário tem o interesse de estender o mesmo modelo de aproximação estratégica a outras potências médias ao redor do globo, mencionando nominalmente o Brasil, além de Indonésia, Japão e Coreia do Sul.

O movimento geopolítico vai ao encontro de teses defendidas por Mark Carney desde o início do ano, quando o premiê apontou a urgência de nações de médio porte unirem forças diante das pressões comerciais e da nova postura hegemônica dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. Segundo Carney, negociar de forma isolada com potências globais resulta em subordinação e perda efetiva de soberania.

Apesar do entusiasmo inicial em Estrasburgo, a proposta de criar uma categoria de membro associado enfrenta barreiras políticas consideráveis. Qualquer mudança estrutural e formal exigirá a aprovação unânime dos 27 países que integram a União Europeia, além de já ter gerado resistência por parte de alas políticas contrárias e impasses na ratificação de acordos comerciais vigentes, como o Ceta.

A reação da administração norte-americana não tardou a chegar, com críticas severas vindas de Washington e ameaças de retaliações tarifárias caso a aproximação seja interpretada como um ato hostil aos interesses comerciais dos Estados Unidos. Em resposta, representantes da Comissão Europeia reforçaram que o diálogo e a cooperação com Ottawa não possuem caráter direcionado contra nenhum outro país.

Com a cúpula entre a União Europeia e o Canadá agendada para acontecer em Montreal no final de outubro, os próximos desdobramentos diplomáticos servirão para testar a viabilidade real dessa nova estratégia de integração e se as conversas preliminares conseguirão superar os obstáculos regulatórios e internacionais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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