O ex-banqueiro Daniel Vorcaro manteve um encontro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes no dia 11 de abril de 2024. Na ocasião, o pedido central foi para que o magistrado votasse a favor de uma causa bilionária relacionada a usinas do setor sucroalcooleiro, o que geraria benefícios diretos ao executivo.
O Banco Master, sob a presidência de Vorcaro, possuía em sua carteira montantes expressivos em créditos dessas corporações, estruturados na forma de precatórios. Tais títulos correriam o risco de desvalorização caso a Suprema Corte não validasse as ações indenizatórias movidas pelas empresas contra a União.
Apesar da investida, Mendes votou contrariamente à tese defendida por Vorcaro no âmbito de julgamentos de casos concretos, cuja maioria ainda tramita na corte. Conforme projeções da Advocacia-Geral da União (AGU), a eventual vitória das usinas pode acarretar um impacto financeiro estimado em até R$ 145 bilhões aos cofres públicos.
No período em que ocorreu a reunião, o ex-banqueiro mantinha um contrato no valor de R$ 500 mil mensais com o empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes. Foi Feitosa quem auxiliou Vorcaro na articulação para viabilizar o encontro com o ministro no gabinete da Corte.
As discussões judiciais entre a União e as empresas do setor sucroalcooleiro remontam ao controle estatal de preços exercido nas décadas de 1980 e 1990. Os processos avaliam se as usinas possuem direito a compensações financeiras em decorrência da fixação de valores abaixo dos custos de produção pelo poder público.
Embora a União tenha buscado reverter decisões passadas por meio de ações rescisórias após o entendimento firmado pelo STF em 2020 — que exigia perícia individualizada para comprovação de prejuízos —, o caso específico da Destilaria Alcídia S/A seguiu em pauta e obteve desfavorabilidade para a União com trânsito em julgado em outubro de 2025.
Fonte: redir.folha.com.br
