À medida que se aproxima o final da corrida eleitoral, os comitês de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiram intensificar a estratégia de apelo pelo voto útil. Com os principais concorrentes posicionados de forma muito próxima nas pesquisas de intenção de voto, o objetivo central das duas chapas passou a ser a tentativa de encerrar a disputa já no primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro.
De acordo com o levantamento do instituto Datafolha, o presidente Lula aparece liderando a disputa com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%. Na simulação de um eventual segundo turno, o cenário permanece de empate técnico, com Lula somando 46% contra 44% do adversário, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Para que a estratégia de voto útil surta o efeito desejado, as coordenações de campanha precisam convencer o eleitorado de candidatos com menor expressão a migrar seus votos, motivados pela percepção de derrota iminente do nome de sua preferência. No campo da direita, Flávio busca atrair eleitores que hoje apoiam nomes como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, que somam juntos 15% da preferência do eleitorado.
Por sua vez, o atual mandatário também mira o eleitorado do escritor Augusto Cury, terceiro colocado na pesquisa com 6%, visto que parte significativa desse público admite migrar para o petista em um eventual segundo turno. O grande desafio para ambas as campanhas consiste em convencer esses eleitores sem afastar o apoio de potenciais aliados para o segundo turno.
Enquanto o PL aposta em jingles, mensagens diretas em redes sociais e apelos explícitos para resolver a disputa antecipadamente, a campanha petista reforça a estabilidade da liderança de Lula e prioriza a apresentação de suas propostas de governo. Aliados do governo também ressaltam que o presidente mantém vantagem no chamado ‘sentimento de vitória’, métrica que avalia qual candidato o eleitor acredita que sairá vitorioso.
Considerando o cenário dos votos válidos, que excluem os brancos e nulos e definem a eleição caso um candidato atinja mais de 50%, os dados mais recentes indicam Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 39%. Com o cenário polarizado e os índices estagnados, o engajamento da militância e a captação de eleitores indecisos e de centro tornaram-se as armas definitivas para a reta final do pleito.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
