As eleições de 2026 registram um avanço na proporção de candidatos milionários disputando os cargos em todo o país. Conforme os dados das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral, um total de 6.354 concorrentes informou patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão, o equivalente a 30,3% de todas as candidaturas deste ano. Em paralelo, o grupo daqueles que não informaram bens soma 7.078 pessoas, representando 33,8% do total.
O perfil patrimonial dos postulantes sofreu alterações significativas na comparação com o pleito de 2022. Enquanto o número e a proporção de candidatos milionários aumentaram, houve uma retração na fatia daqueles que declararam não possuir patrimônio ou que registraram valor total igual a zero na base de dados consultada.
A distribuição dos candidatos com maior poder financeiro não ocorre de maneira uniforme entre os cargos em disputa. A presença de milionários é consideravelmente mais expressiva nas campanhas para cargos nacionais e majoritários. Entre os concorrentes aos postos de presidente e vice-presidente, por exemplo, 69% declararam bens que alcançam ao menos R$ 1 milhão, 23% situam-se na faixa intermediária e apenas 8% não declararam nenhum patrimônio.
O contraste entre os extremos de riqueza declarada atinge o ápice justamente na corrida presidencial, onde a fatia de candidatos milionários supera em 61 pontos percentuais a parcela daqueles que constam sem bens declarados. A situação se modifica de forma drástica quando o foco se desloca para as disputas legislativas, especialmente para o cargo de deputado estadual.
Na corrida para as assembleias estaduais, a relação entre os grupos se inverte: os candidatos sem patrimônio declarado chegam a ser 8 pontos percentuais mais numerosos, em termos proporcionais, do que os concorrentes classificados como milionários. Essa mesma tendência de maior concentração de pessoas sem bens é observada nas demais disputas legislativas do pleito.
As divergências patrimoniais também se refletem de maneira marcante na divisão por partidos políticos. As legendas que reúnem as maiores fatias de candidaturas milionárias são o PRTB, com 58%, o PSD, com 50%, e o PP, que registra 49% de seus concorrentes com mais de R$ 1 milhão em bens declarados.
No sentido oposto da tabela, os partidos que apresentam as maiores proporções de candidatos sem patrimônio declarado são o PCO, com 75%, seguido por DC e Democrata, ambos contabilizando 63% de suas bases de concorrentes sem bens informados ao Tribunal Superior Eleitoral.
A metodologia adotada para o levantamento baseou-se na análise das informações repassadas ao TSE, cruzando os dados das eleições de 2022 e 2026 extraídos em meados de agosto. O cálculo individual do patrimônio somou todos os bens informados, permitindo traçar um panorama detalhado da participação desses diferentes grupos econômicos por partido, estado e cargo.
Fonte: g1.globo.com
