Mergulhadores e pesquisadores desceram recentemente até o fundo do mar na costa da Flórida, nos Estados Unidos, com a missão de plantar corais jovens em recifes locais. A iniciativa integra o programa de longo prazo “Rescue a Reef”, coordenado pela Universidade de Miami, que une esforços de conservação marinha e conscientização pública diante do avanço das mudanças climáticas.
Parte central do projeto consiste em investigar quais espécies de coral conseguem suportar o rápido aquecimento das águas oceânicas, impulsionado pela atividade humana. De acordo com a coordenação do programa, certas variedades demonstram maior resiliência e capacidade de recuperação após episódios severos de estresse térmico.
Os recifes de coral desempenham um papel ecológico fundamental, funcionando como berçários de biodiversidade comparáveis às florestas tropicais e atuando como barreiras naturais de proteção contra a erosão costeira e inundações. Contudo, o aumento contínuo das temperaturas globais tem agravado drasticamente a sobrevivência desses ecossistemas marinhos.
Na região da Flórida, uma onda de calor oceânica sem precedentes iniciada em 2023 resultou na quase extinção funcional de espécies de grande relevância ecológica, como o coral-chifre-de-alce e o coral-chifre-de-veado. Embora eventos globais de branqueamento tenham dado trégua em períodos recentes, pesquisadores alertam que a persistência de temperaturas elevadas e a ameaça de novos fenômenos climáticos mantêm o alerta ligado.
Durante as expedições de campo, a equipe utiliza diferentes métodos de cultivo e fixação, como estruturas flutuantes em formato de árvore e bases de apoio fixadas no substrato marinho. Pequenas coberturas de proteção também são aplicadas para evitar que predadores naturais consumam os corais recém-implantados nos recifes.
O monitoramento da saúde dos corais envolve o uso de tabelas colorimétricas para rastrear alterações na pigmentação, sinalizando de forma precoce quadros de estresse térmico. Com o avanço das pesquisas na temporada atual, dezenas de exemplares já foram incorporados aos estudos, cujos dados detalhados são repassados às autoridades ambientais para subsidiar estratégias de preservação do litoral.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
