No cenário do futebol contemporâneo, a compreensão dos esquemas táticos é fundamental para analisar o desempenho de equipes e atletas. A formação 3-5-2, composta por três zagueiros, cinco meio-campistas e dois atacantes, demanda dos alas uma atribuição dupla e exaustiva: atacar e defender pelas laterais do campo com alta intensidade e frequência.
Essa transição nem sempre se mostra simples para atletas formados com foco essencialmente ofensivo. O futebol moderno impõe que o jogador aberto pelos flancos funcione quase como um maratonista, percorrendo o campo de ponta a ponta durante toda a partida e acréscimos, colaborando tanto na criação de jogadas quanto na recomposição defensiva.
Um exemplo dessa exigência ocorre no Chelsea, onde o jovem Estêvão, de 19 anos, tem enfrentado concorrência e escassez de oportunidades sob o comando do técnico Xabi Alonso. O treinador prefere o português Pedro Neto para o setor direito, justamente pela capacidade de cumprir com rigor as obrigações defensivas exigidas pelo modelo de jogo da equipe inglesa.
Outro brasileiro que vivencia esse processo de adaptação é o atacante Luís Henrique, atualmente na Inter de Milão, atual campeã italiana comandada por Cristian Chivu. O atleta tem atuado como ala pela direita no esquema 3-5-2 da equipe nerazzurri e aponta que a função exige tanto um forte rigor físico quanto uma elevada concentração tática.
Em entrevista recente, Luís Henrique destacou que o aprendizado no futebol italiano tem sido enriquecedor para enxergar o jogo de forma mais completa, complementando as bagagens adquiridas no Brasil, pautada na criatividade e no improviso, e na França, marcada pela velocidade e intensidade física.
No entanto, a concorrência nos grandes clubes europeus permanece acirrada. Para o restante da temporada, o brasileiro precisará batalhar por seu espaço, uma vez que a preferência do treinador para a ala direita tem recaído sobre o francês Andy Diouf, evidenciando os obstáculos que os talentos do país enfrentam para se consolidar no cenário internacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
