A busca por cidades perdidas e tesouros nas profundezas dos Andes peruanos marcou a história da exploração sul-americana no século passado. No início do século 20, o acadêmico americano Hiram Bingham 3º liderou expedições que o levaram a identificar Machu Picchu como a antiga Vilcabamba. No entanto, décadas mais tarde, revelou-se que o renomado local não correspondia à verdadeira fortaleza montanhosa do último rei inca.
Cinquenta anos após a primeira incursão de Bingham, em agosto de 1964, o explorador americano Gene Savoy, frequentemente apelidado de o ‘verdadeiro Indiana Jones’, chegou às ruínas reais de Vilcabamba. Acompanhado pelo pesquisador peruano Antonio Santander Cascelli e enfrentando a resistência de moradores locais temerosos de lendas ancestrais, Savoy deparou-se com uma vasta área coberta por musgo e neblina.
O cenário encontrado pela dupla desafiava a imaginação. Eles se depararam com construções espalhadas por três platôs montanhosos, englobando palácios, fontes e edificações em granito e calcário. Apenas o primeiro platô possuía dimensões quatro vezes superiores às de Machu Picchu, o que reforçou a convicção de que se tratava de um refúgio estratégico utilizado pelos últimos incas em sua resistência contra os conquistadores espanhóis.
A confirmação de que o local era de fato Vilcabamba veio por meio de uma evidência incomum encontrada pela equipe: telhas com design espanhol, mas marcadas por clara influência inca na coloração e nos detalhes. A descoberta ganhou reconhecimento internacional e foi corroborada por cronistas e especialistas na cultura inca, que associaram os achados arquitetônicos aos registros históricos do século 16.
Apesar das expedições e da revelação parcial das ruínas, grande parte da antiga capital e de seus tesouros permanece envolta em mistério. A região continua soterrada pela densa vegetação da selva, abrigando estruturas de pedra estranguladas por raízes seculares e alimentando especulações sobre riquezas e sítios arqueológicos ainda não explorados nas florestas do Peru.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
