Cada vez mais jovens têm buscado auxílio profissional para superar a dependência de plataformas de apostas online, conhecidas como bets. Relatos de grupos de apoio indicam que a busca por tratamento tem alcançado adolescentes a partir de 14 anos, expondo uma realidade preocupante de vício precoce e perda de controle financeiro.
O avanço das apostas entre o público jovem está diretamente associado à facilidade de acesso por meio de dispositivos móveis. Dados indicam que parcelas significativas de estudantes já realizaram apostas na infância ou no início da adolescência, impulsionadas pela falta de maturidade financeira e por campanhas publicitárias veiculadas em canais digitais.
Especialistas da área da saúde mental explicam que o cérebro dos jovens ainda está em processo de desenvolvimento, o que acentua a vulnerabilidade a esse tipo de estímulo. Enquanto as áreas cerebrais ligadas à sensação de prazer funcionam intensamente, os mecanismos responsáveis pelo controle de impulsos e avaliação de riscos amadurecem de forma mais lenta, dificultando a interrupção do ciclo de apostas.
O impacto financeiro e psicológico da compulsão tem levado muitos jovens ao endividamento severo, à depressão e a quadros de ansiedade. Levantamentos acadêmicos também apontam que os gastos excessivos com jogos interferem diretamente em decisões fundamentais, como o acesso e a permanência no ensino superior e em cursos de capacitação profissional.
Como resposta ao crescimento do problema e à exposição de menores de idade, o governo federal implementou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). A legislação estabelece novas regras para o ambiente virtual, exigindo mecanismos mais rigorosos de verificação de idade nas plataformas digitais e responsabilizando conjuntamente empresas, famílias e o poder público.
Especialistas e profissionais da educação reforçam que o enfrentamento ao vício em apostas exige uma atuação integrada, que combine regulação severa, orientação digital nas escolas, diálogo familiar e apoio psicológico contínuo para evitar que novos jovens ingressem no ciclo de dependência.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
