O impacto financeiro provocado pelos prejuízos à saúde decorrentes das apostas online no Sistema Único de Saúde (SUS) atinge a marca de R$ 30,6 bilhões anualmente. O levantamento faz parte de um estudo conduzido pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), revelando a dimensão do problema na rede pública.
Nesse montante estão inclusas as despesas associadas aos tratamentos de quadros de depressão, ansiedade, além dos custos decorrentes de mortes por suicídio relacionadas à dependência dos jogos. O relatório aponta ainda que apenas uma fração reduzida, correspondente a 1% do valor arrecadado das operadoras de apostas, é direcionada ao Ministério da Saúde com o intuito de mitigar tais consequências.
Nos últimos cinco anos, os registros indicam um avanço expressivo de 140% na procura por suporte médico e psicológico no SUS em virtude da ludopatia e do envolvimento com jogos de azar. O diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati, destacou que a alta foi observada em toda a Rede de Atenção Psicossocial, motivando a criação de novas estratégias de acolhimento.
Como resposta ao aumento da demanda, o governo implementou um canal de teleatendimento voltado especificamente para indivíduos que enfrentam dificuldades com jogos. Desde a implantação dessa porta de entrada digital, dezenas de milhares de pessoas se cadastraram após realizarem testes de triagem, o que levou à ampliação da capacidade mensal de atendimento.
Paralelamente, ferramentas de controle e autoexclusão implementadas pelo poder público bloquearam milhões de cadastros em plataformas autorizadas. Usuários que buscaram ajuda relatam histórias de superação e a importância do suporte familiar e de grupos especializados, como o Jogadores Anônimos, na luta diária contra a compulsão.
Especialistas reforçam que a dependência é uma doença que exige intervenção qualificada e sem julgamentos morais. O SUS disponibiliza atendimento sigiloso e gratuito por meio de unidades básicas, centros especializados e portais digitais para pacientes e familiares afetados pelo vício em apostas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
