BRASIL

Para associações, normas ainda deixam pontos em aberto sobre cannabis

Evento realizado em Fortaleza debateu a regulamentação do uso de cannabis medicinal no país e os desafios enfrentados pelas associações de pacientes diante das novas normativas da Anvisa.

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Para associações, normas ainda deixam pontos em aberto sobre cannabis

Os avanços na regulamentação do uso de cannabis medicinal no Brasil são reconhecidos pelas associações de pacientes, mas cresce no setor a necessidade de definir melhor temas paralelos. Questões como o cultivo, o controle sanitário e a inserção da planta na agricultura familiar ainda geram debates intensos entre entidades e autoridades reguladoras.

O assunto foi amplamente discutido durante a segunda edição da feira Febre de Arte, realizada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza. No âmbito do evento, ocorreu o II Encontro Nacional Nordestino de Associações Canábicas (II Enac), onde representantes de entidades relataram atuar em um clima de incerteza, citando apreensões de encomendas e destruição policial de plantações que servem de insumo para medicamentos.

Participantes apontaram que a paralisia de debates concretos desde a publicação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 1.014 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem sido um obstáculo. Maurício Gomes, diretor jurídico da Associação Canábica Florescer (Acaflor), destacou que o prazo de cinco anos para adaptação deixa lacunas e que o Judiciário acabou transferindo responsabilidades para a agência reguladora, enquanto as entidades continuam enfrentando ações policiais.

Por sua vez, representantes da vigilância sanitária reconhecem a existência de insegurança e falta de orientações práticas consolidadas. A Anvisa, contudo, defende que garantiu ampla participação social na elaboração das normas, realizando dezenas de consultas com associações e pesquisadores, além de analisar experiências internacionais para estruturar o novo marco regulatório do setor.

Especialistas e organizações do terceiro setor também cobram maior clareza sobre o modelo definitivo de cultivo, os critérios técnicos e os limites de THC aplicáveis. Dados do Anuário de Cannabis Medicinal da Kaya Mind mostram que o país conta atualmente com centenas de associações ativas e milhares de pacientes que dependem do acesso terapêutico, evidenciando a urgência de uma harmonização normativa que garanta segurança jurídica a quem produz e consome os fitoterápicos.

As normativas recentes da Anvisa, como a RDC 1.013, a RDC 1.014 e a RDC 1.015, trouxeram diretrizes específicas para a produção, o controle sanitário, a criação de ambientes experimentais regulatórios e a ampliação do acesso a pacientes com doenças debilitantes graves. No entanto, as associações reforçam que o diálogo contínuo com os órgãos de fiscalização e o suporte técnico de profissionais como farmacêuticos e agrônomos são fundamentais para assegurar a qualidade dos tratamentos e a estabilidade das entidades.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano