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Festival de Brasília revê a força política e estética do cinema brasileiro

Encerrada sua 59ª edição, o Festival de Brasília coroa 'Se Eu Fosse Vivo... Vivia' e destaca produções plurais que unem politização, lirismo e vigor estético no cenário nacional.

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Festival de Brasília revê a força política e estética do cinema brasileiro

O cinema nacional demonstra vitalidade ao conjugar politização, lirismo, luto e força estética em produções recentes. Uma amostra expressiva dessa fase positiva foi a conclusão da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que coroou o longa “Se Eu Fosse Vivo… Vivia” como o grande vencedor da noite na categoria principal.

Na competitiva de longas-metragens, tanto o trabalho de André Novais Oliveira quanto “Pequenas Tragédias”, dirigido por Daniel Nolasco e destaque em número de troféus, figuram entre as realizações mais expressivas do Brasil no século 21. O filme de Nolasco aborda a homossexualidade aberta de maneira provocadora, gerando reações contrastantes em Catalão, cidade goiana onde foi rodado.

Outro destaque da programação foi “Todo o Sentimento”, assinado por Glenda Nicácio e Ary Rosa, que se sobressai quando ambientado em um casarão colonial no Recôncavo Baiano, contando com as atuações de Aldri Anunciação e Lucas Leto. Já a comédia escatológica “Privadas de Suas Vidas”, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner, explora crises de meia-idade e satiriza o ecossistema dos influenciadores digitais.

A seleção também abarcou obras de cunho documental e político, como “Tudo é Tempo”, de Marcos Guttman, que acompanha o mesmo grupo de eleitores entre os anos de 2002 e 2022 para registrar a complexidade do espectro político brasileiro. Na seara regional, “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, de Denise Vieira, trouxe a representação brasiliense com imagens marcantes na abertura e no encerramento.

O luto se fez presente em “Ana en Passant”, de Fernanda Salgado, que utilizou técnicas variadas de animação para explorar a perda. Paralelamente, mostras e exibições secundárias trouxeram longas em preto e branco como o trabalho mais recente do veterano Júlio Bressane e a produção pernambucana de Pedro Maia de Brito.

Com uma seleção plural e diversa, o festival reafirmou a relevância dos cineastas contemporâneos brasileiros, consolidando produções que dialogam diretamente com as urgências sociais, as transformações estéticas e as contradições morais do país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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