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Crise na Escócia e novos hábitos de consumo ameaçam setor de uísque

Produtores independentes de uísque na Escócia enfrentam a pior retração do setor desde os anos 1980, pressionados por excesso de estoque, custo de vida e mudanças no comportamento dos consumidores.

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Crise na Escócia e novos hábitos de consumo ameaçam setor de uísque

A Holyrood Distillery, fabricante artesanal situada em um antigo prédio ferroviário de 200 anos em Edimburgo, na Escócia, registrou um verão movimentado com a visita de turistas e entusiastas para degustações durante a temporada de festivais. Contudo, o momento de alta circulação contrasta com um ano economicamente desafiador para a destilaria, cuja abertura em 2019 exigiu um aporte de aproximadamente 7 milhões de libras.

Na primavera, diante de meses de forte desaceleração na demanda pelo destilado, a empresa precisou suspender por tempo indeterminado as operações em seus dois alambiques de cobre. Com milhares de barris envelhecendo nos armazéns, a produção foi pausada para mitigar os impactos da cautela dos consumidores em relação aos gastos cotidianos e à retração global do mercado.

O cenário enfrentado pela Holyrood reflete uma dificuldade generalizada entre produtores independentes na tentativa de sobreviver à pior crise do setor de uísque escocês desde a década de 1980. O excesso de produção verificado na década de 2010 gerou uma abundância de estoques em maturação justamente no momento em que a demanda internacional recuou devido à crise global do custo de vida e às incertezas nas tendências de consumo das novas gerações.

Especialistas da indústria apontam que a quantidade de uísque armazenada em barris disparou expressivamente na última década, atingindo volumes suficientes para atender aos patamares atuais de consumo por vários anos. Essa superoferta levou diversas destilarias instaladas na Escócia a cortarem a produção de forma drástica, enquanto investidores e bancos adotam uma postura de extrema cautela diante de um cenário de restrição de crédito.

Como resposta à pressão financeira, o mercado tradicional de uísque escocês tem buscado alternativas criativas para atrair o público. Destilarias independentes e grandes marcas investem no lançamento de variedades mais doces, produtos inovadores e coquetéis prontos em lata, tentando rejuvenescer a imagem da bebida e reduzir a dependência de consumidores tradicionais mais velhos.

Apesar das dificuldades enfrentadas por empresas de menor porte, gigantes globais do setor com balanços mais robustos tentam atravessar o período de instabilidade enquanto monitoram sinais de recuperação nas exportações e nos mercados emergentes, na expectativa de que a consolidação ajude a reequilibrar o mercado mundial de destilados.

Fonte: c-level.folha.uol.com.br

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