O médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira, reconhecido como um dos principais pioneiros na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do HIV e da Aids no Brasil, faleceu neste sábado (19), aos 77 anos. A causa do falecimento não foi divulgada pelas fontes oficiais.
A trajetória de Teixeira na saúde pública ganhou projeção nacional em 1983, quando ele assumiu a liderança na criação do primeiro programa estruturado de combate à Aids na América Latina, implantado no estado de São Paulo. O modelo idealizado por ele destacou-se pela inovação, estruturando-se com base no atendimento médico especializado aliado estritamente ao respeito aos direitos humanos e à dignidade fundamental dos pacientes.
Esses princípios normativos mostraram-se imprescindíveis durante o período inicial da epidemia nos anos 1980, marcado por forte pânico moral, lacunas científicas e intensa estigmatização. Na época, a enfermidade era veementemente associada a homens gays e bissexuais, o que intensificou preconceitos contra a comunidade LGBTQIA+ e propagou o equívoco de que o vírus estaria restrito a grupos específicos, marginalizando os infectados.
Ao longo de sua carreira, Teixeira ampliou sua atuação institucional, assumindo nos anos 2000 a chefia do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde e a diretoria do departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de prestar consultoria à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O médico também se destacou como um incansável defensor da universalidade do acesso ao tratamento. A distribuição pública, ampla e gratuita de medicamentos antirretrovirais foi formalmente consolidada em 1996, amparada por legislação que assegurou o direito ao atendimento integral a todos os cidadãos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Autoridades sanitárias, colegas de profissão e instituições de pesquisa expressaram profundo pesar pelo falecimento. O Ministério da Saúde destacou em nota oficial que o legado de Teixeira permanece impresso no fortalecimento do SUS e na garantia de cuidado a milhares de pessoas. O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, vinculado à Fiocruz, e médicos como Táki Cordás, da USP, também lamentaram publicamente a perda de um humanista exemplar para a medicina global.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
