Milhares de crianças e jovens em Gaza retornaram às salas de aula presenciais no último sábado, marcando o recomeço educacional após quase três anos de paralisação decorrente do conflito na região. Os estudantes passam a se acomodar em prédios escolares severamente danificados, além de estruturas provisórias erguidas em tendas e lonas.
Dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontam que cerca de 98% das instituições de ensino no território foram destruídas ou sofreram algum tipo de dano durante os confrontos. Autoridades locais estimam que aproximadamente 660 mil alunos ficaram privados de frequentar o ambiente escolar de forma regular durante o período mais intenso da guerra.
A retomada das atividades representa um marco considerado frágil pelas autoridades locais, visto que o conflito resultou na morte de cerca de 22 mil estudantes e mais de 770 profissionais da educação, incluindo centenas de professores. Mesmo diante do cenário de devastação, o Ministério da Educação, amparado por organizações locais e internacionais, viabilizou o início do ano letivo de 2026-2027 por meio de espaços temporários.
Alunos deslocados relatam as dificuldades enfrentadas para retomar os estudos. Sem materiais básicos como cadernos, canetas e calçados adequados — itens cujos preços dispararam devido a restrições de importação —, crianças e adolescentes afirmam manter a determinação de aprender, ainda que precisem assistir às aulas sentados no chão de barracas expostas ao calor e ao sol intenso.
Estima-se que ao menos 540 mil alunos devam frequentar as aulas presenciais neste período por meio de escolas particulares improvisadas e centros de aprendizagem temporários. Para aqueles que não conseguem se deslocar ou que deixaram a região, a modalidade de ensino à distância permanece ativa como alternativa educacional.
Enquanto o processo de reconstrução enfrenta barreiras logísticas e políticas, com forças israelenses mantendo o controle sobre grande parte do território e restrições severas ao fluxo de suprimentos, estudantes e educadores buscam normalizar a rotina escolar, dividindo o desejo de aprender com o temor constante gerado pela instabilidade na área.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
