Na corrida eleitoral para o Senado Federal, diversos candidatos priorizaram figuras milionárias para preencher as vagas de suplentes em suas chapas. A estratégia evidencia o foco em potenciais financiadores de campanha e facilitadores de diálogo com o empresariado regional. Tradicionalmente, os suplentes assumem o mandato em casos de afastamento dos titulares ou por meio de acordos políticos que permitem períodos de vacância temporária.
Dados compilados a partir do Tribunal Superior Eleitoral indicam que a média de patrimônio dos concorrentes ao posto de primeiro suplente alcança R$ 9 milhões, superando com folga a média de bens declarados pelos titulares, que fica em R$ 3,9 milhões. Entre os segundos suplentes, o patamar financeiro também é expressivo, registrando média de R$ 3,1 milhões. Considerando as legendas com assento no Congresso, 42% dos suplentes possuem fortunas superiores às dos titulares.
Entre os exemplos de maior destaque está o empresário Luiz Osvaldo Pastore, integrante da chapa de Eduardo Gomes no Tocantins, que declarou bens avaliados em R$ 677 milhões. No Paraná, Wilson Picler figura como suplente de Deltan Dallagnol com um patrimônio de R$ 478,6 milhões. Já no Mato Grosso, Odilio Balbinotti Filho compõe a chapa encabeçada por Zé Medeiros, ostentando uma fortuna declarada de R$ 359,7 milhões.
O histórico de doações eleitorais dessas figuras reforça o peso estratégico de suas presenças nas chapas. Até o mês de setembro, os suplentes já haviam injetado milhões de reais em repasses para campanhas. Professor Picler despontou como o maior doador interno para chapas ao Senado, enquanto Pastore e outros nomes também destinaram recursos expressivos para candidatos a cargos legislativos e executivos em diversos estados.
Além da capacidade financeira, alianças políticas e inserções institucionais também pesam na composição das chapas. Em Alagoas e Minas Gerais, figuras de destaque no esporte e na Câmara dos Deputados foram integradas às candidaturas. Em Pernambuco, o senador Humberto Costa apostou na inclusão do ex-deputado Luciano Bivar como suplente, ilustrando a busca por convergência entre correntes ideológicas distintas.
As vagas em disputa no Senado são especialmente cobiçadas devido à duração do mandato de oito anos e ao poder de indicação de emendas parlamentares, que supera o de deputados. Além disso, a autonomia dos senadores sobre seus mandatos e a flexibilidade para negociar licenças tornam a suplência um posto de alta relevância estratégica no tabuleiro político nacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
