A adoção do Gás Natural Veicular (GNV) como alternativa para baratear os custos de transporte esbarra em barreiras estruturais em Mato Grosso do Sul. Com uma frota limitada a apenas 30 veículos registrados com o combustível no Detran-MS, o Estado possui uma rede de abastecimento extremamente restrita. De acordo com informações da MSGÁS (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul), existem cinco pontos de abastecimento em todo o território estadual, mas apenas quatro atendem o público geral, todos localizados na Capital.
O quinto posto está situado em Três Lagoas e atende exclusivamente ao transporte pesado de uma indústria, sem acesso para os consumidores comuns. Essa escassez territorial impede que motoristas do interior aproveitem as vantagens econômicas do GNV em viagens longas, obrigando os condutores a recorrerem à gasolina ou ao etanol assim que o gás armazenado nos cilindros se esgota.
Apesar da limitação geográfica, quem opta pela conversão pode obter economia expressiva e benefícios fiscais. O técnico administrativo Reinaldo Carmona, de 65 anos, utiliza GNV em sua Fiat Strada e relata gastar entre R$ 150 e R$ 180 mensais para rodar de 600 a 700 quilômetros. Além do rendimento que varia de 10 a 12 quilômetros por metro cúbico, o motorista conta com a isenção de 100% do IPVA, inserida na Política de Incentivo ao Uso do GNV após a regularização do equipamento.
Dados de pesquisa realizada pelo Procon-MS em setembro apontam que o metro cúbico do GNV era comercializado a um preço médio de R$ 4,59 nos postos de Campo Grande. No mesmo período, a gasolina comum registrou média de R$ 6,37 por litro, enquanto o etanol apresentou média de R$ 3,82 no dinheiro ou débito e R$ 3,93 no crédito, com valor geral de R$ 3,87 por litro, embora com rendimento geralmente inferior.
No aspecto técnico, a instalação do equipamento exige investimento inicial. O proprietário de oficina especializada Daniel Ferreira de Oliveira Lima aponta que o kit para carro popular custa entre R$ 4,5 mil e R$ 5 mil. O processo exige autorização prévia do Detran-MS, execução por empresa homologada e vistoria posterior, além de manutenções periódicas como verificação de vazamentos e requalificação dos cilindros.
Para o futuro, a MSGÁS estuda expandir a oferta para o interior do Estado por meio de projetos voltados para indústrias em Três Lagoas e planos para implantar postos em Dourados. A iniciativa faz parte de estratégias para estruturar os chamados “corredores azuis”, rotas destinadas a viabilizar o abastecimento de veículos movidos a gás, como caminhões e ônibus.
Fonte: www.campograndenews.com.br
