O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu posicionar o combate às plataformas de apostas digitais, amplamente conhecidas como bets, no centro de sua estratégia para a campanha de reeleição. A principal meta do governo é implementar restrições severas ou até mesmo barrar de vez os cassinos online, modalidade que ganhou enorme notoriedade sob o apelido de “jogo do tigrinho”. Integrantes do alto escalão do Palácio do Planalto avaliam que uma investida dura contra essas empresas é iminente, dependendo apenas dos últimos alinhamentos políticos.
A definição final sobre o teor exato da medida deve ser sacramentada após o retorno do mandatário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Aliados próximos ressaltam que a determinação de Lula é firme para coibir a exploração desses jogos de azar virtuais, cuja modalidade do tigrinho representa a fatia majoritária do faturamento de todo o setor digital voltado a apostas na internet.
Diferente das tradicionais previsões vinculadas a resultados esportivos reais de partidas de futebol, os cassinos eletrônicos operam de maneira independente de eventos do mundo físico. Dados econômicos apontam que essas plataformas são um dos motores fundamentais do crescente endividamento das famílias brasileiras, que amargaram perdas bilionatórias estimadas em dezenas de bilhões de reais no período recente.
Apesar da forte vontade política do Executivo, assessores e ministros ponderam que existem obstáculos complexos no horizonte. Um dos principais impasses jurídicos reside no fato de que as empresas legalizadas desembolsaram taxas expressivas de outorga aos cofres federais para operar em território nacional por um quinquênio, cenário que poderia desencadear contestações judiciais e pedidos de indenização caso as atividades sejam interrompidas abruptamente.
Outro ponto de intensa discussão na cúpula governista diz respeito à eficácia de uma eventual proibição, pois o governo teme que os serviços migrem integralmente para a ilegalidade, desafiando o controle estatal. Adicionalmente, há receios quanto ao forte poder de lobby dessas companhias no Congresso Nacional e à reação de influenciadores digitais patrocinados por tais marcas durante o período eleitoral.
Como parte da estratégia para engajar o eleitorado, a campanha governista programou inserções na televisão e na internet destacando o tema. A narrativa oficial busca responsabilizar gestões anteriores pela ausência de regulamentação prévia do setor, ao passo que o atual governo defende a pauta como uma medida de proteção social e saúde pública diante do avanço do vício entre os cidadãos.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
