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Licenciaturas atraem menos de 1 em cada 6 alunos do grupo com melhores notas no Enem

Estudo aponta que apenas 14,7% dos ingressantes em cursos de formação de professores estavam entre os 20% com melhor desempenho no exame em 2024.

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Licenciaturas atraem menos de 1 em cada 6 alunos do grupo com melhores notas no Enem

Menos de um em cada seis ingressantes em cursos de licenciatura, voltados à formação de professores, pertencia à parcela de 20% com o melhor desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2024. A proporção registrada foi de 14,7%, representando menos da metade do índice observado entre estudantes de direito, que atingiu 32,6%, e ficando distante dos 81,2% alcançados em medicina.

Esses dados fazem parte da 13ª edição do Anuário Brasileiro da Educação Básica, publicação lançada nesta terça-feira (22) e elaborada por entidades como o Todos Pela Educação, a Fundação Santillana e a Editora Moderna. As informações foram obtidas por meio de microdados do Enem e do Censo da Educação Superior, extraídos da sala de segurança do Inep em março de 2026.

Para os especialistas responsáveis pelo levantamento, os números evidenciam a dificuldade persistente que a carreira docente enfrenta para atrair estudantes com histórico acadêmico mais elevado. A série histórica mostra que essa baixa adesão não é um fenômeno isolado do último ano: em 2018, 23,9% dos ingressantes nas licenciaturas estavam no grupo de notas mais altas, percentual que oscilou nos anos seguintes até atingir o piso de 14% em 2023.

Outro ponto de atenção destacado no estudo refere-se ao desempenho dos estudantes ao concluírem a graduação. Em 2025, apenas 20,2% dos concluintes de licenciaturas avaliados pelo Enade e pela PND (Prova Nacional Docente) alcançaram o nível considerado adequado, enquanto 42,2% ficaram abaixo do básico, com um índice de desempenho inferior nos cursos a distância em comparação aos presenciais.

O cenário de renovação do magistério também é impactado pelo envelhecimento da categoria. Enquanto a quantidade de professores do ensino médio com até 24 anos sofreu uma queda de 31,1% entre 2015 e 2025, o contingente de docentes com mais de 60 anos mais do que dobrou no mesmo intervalo temporal.

Apesar de o anuário indicar avanços na escolaridade geral dos professores — com a redução dos profissionais sem curso superior de 23,6% para 12,3% na última década —, os desafios estruturais permanecem, incluindo a remuneração média dos docentes da rede pública, que equivale a cerca de 85% do rendimento de outros trabalhadores com ensino superior.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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