O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, marcando a sua décima participação no debate geral da entidade. Com uma duração de cerca de 25 minutos, a fala do mandatário brasileiro mesclou pautas voltadas diretamente ao cenário político interno do país com recados estratégicos direcionados a Donald Trump e à comunidade internacional.
Entre os tópicos domésticos citados pelo presidente, destacaram-se as críticas ao setor de apostas esportivas, conhecidas como bets. Lula afirmou que a atividade transforma o vício em lucro e atua de maneira a destruir lares brasileiros. O chefe do Executivo também mencionou a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, declarando que a aprovação de uma lei nesse sentido é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que historicamente recai de forma desproporcional sobre as mulheres.
Ainda no escopo interno, o presidente abordou o momento eleitoral do país. Ele ressaltou que o Brasil precisa definir se deseja avançar rumo a um futuro pautado por mais oportunidades ou se prefere regressar a um passado marcado pela exclusão. Além disso, Lula defendeu a robustez do sistema eleitoral brasileiro e reiterou que a democracia do país pertence exclusivamente aos seus cidadãos.
Em recados que ecoaram no cenário geopolítico e dialogaram com posições associadas a Donald Trump, o presidente enfatizou a defesa da soberania nacional. Em uma declaração interpretada como um recado direto aos Estados Unidos, afirmou que o Brasil não cabe no ‘quintal’ de ninguém. No campo da segurança, mencionou que o país apresentou uma proposta aos norte-americanos para o combate conjunto ao crime organizado, frisando que a prioridade é a cooperação e não o uso de força militar desproporcional, como porta-aviões.
O líder brasileiro também abordou disputas econômicas e tecnológicas globais, declarando que o país não vai ceder a pressões de corporações multinacionais que buscam a privatização do sistema de pagamentos PIX. No tocante aos conflitos e à geopolítica global, Lula criticou duramente o genocídio praticado pelo governo de Benjamin Netanyahu e pontuou as crises enfrentadas no Haiti, na Nicarágua e na Venezuela, cobrando maior efetividade das instâncias internacionais.
Por fim, o mandatário direcionou duras críticas ao funcionamento da diplomacia mundial ao afirmar que o planeta se encontra refém do imobilismo do Conselho de Segurança da ONU. Perante uma plateia composta por chefes de Estado, diplomatas e líderes globais, Lula reforçou a necessidade de os países escolherem entre o multilateralismo e o unilateralismo, optando firmemente pela democracia e pela soberania em detrimento da subordinação.
Fonte: g1.globo.com
