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Vai votar? Descrença afasta mais de 1 em cada 5 eleitores em MS

Dados do TRE-MS mostram que cerca de 440 mil eleitores faltaram em cada turno das últimas eleições gerais em 2022, evidenciando o impacto da descrença política.

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Vai votar? Descrença afasta mais de 1 em cada 5 eleitores em MS

A descrença na classe política e a falta de confiança no poder de transformação do voto popular têm afastado eleitores das urnas em Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil. Dados oficiais do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) apontam que mais de 440 mil pessoas deixaram de votar em cada turno das eleições gerais de 2022, o que representa cerca de 22% do eleitorado sul-mato-grossense. Em âmbito nacional, o número de abstenções superou a marca de 31 milhões em cada turno do pleito.

Entre os cidadãos que decidiram se abster, o sentimento de frustração é recorrente. O azulejista Rinaldo Amaral Duarte, de 66 anos, relata que o afastamento das urnas decorre de uma desilusão construída ao longo de décadas acompanhando os cenários políticos. Para ele, a falta de propostas sólidas e a percepção de que os interesses financeiros se sobrepõem ao bem coletivo tornam o comparecimento desnecessário, optando por ficar longe dos locais de votação.

Por outro lado, o engajamento ainda mobiliza parte da população, gerando debates familiares. A vendedora Carmelucy Ferraz, de 45 anos, afirma que nunca deixou de exercer o direito ao voto e tenta convencer o filho, professor universitário, a participar do pleito. Ela argumenta que a abstenção não contribui para a melhoria do país e destaca a importância de analisar políticas públicas e propostas antes de tomar qualquer decisão sobre o futuro político.

A série histórica do TRE-MS demonstra que o fenômeno da abstenção mantém patamares elevados e constantes ao longo dos anos. Nas eleições de 2018, o Estado já havia registrado 398.404 ausências no primeiro turno e 427.761 no segundo. O comparativo com 2010, quando a taxa de ausência no primeiro turno era de 18,13%, revela um crescimento expressivo na proporção de eleitores que deixam de comparecer às urnas nas últimas décadas.

Para o cientista político Daniel Miranda, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o comportamento do eleitor sul-mato-grossense reflete uma tendência nacional impulsionada principalmente pela indiferença política. O especialista aponta que, embora fatores logísticos como distância e condições climáticas influenciem pontualmente, o peso maior recae sobre a percepção de que os candidatos são todos iguais e que o voto não produzirá mudanças reais na sociedade.

Outro aspecto que molda a decisão de comparecer é a competitividade da disputa. Segundo Miranda, eleições percebidas como acirradas estimulam a participação pelo entendimento de que o voto individual pode decidir o resultado, enquanto cenários de ampla vantagem para determinado candidato tendem a desmobilizar o eleitorado. Além disso, a legislação eleitoral estabelece que a abstenção é distinta do voto nulo ou em branco, contabilizando apenas os eleitores que sequer comparecem à sua seção eleitoral.

Por fim, a facilidade de regularização da situação eleitoral e o valor reduzido da multa por ausência — fixada em até R$ 3,51 por turno — também pesam na decisão dos eleitores. Para o professor da UFMS, esses fatores transformam a obrigatoriedade do voto no Brasil em algo mais cívico e moral do que jurídico na prática, permitindo que quem decida não participar enfrente burocracias mínimas para manter o cadastro regularizado com o passar dos anos.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano