O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou oficialmente o tombamento da Capela do Cristo Operário, edificação que integra o conjunto de bens móveis e edifícios remanescentes da antiga Fábrica Unilabor, situada no bairro do Alto do Ipiranga, na zona sul de São Paulo.
A deliberação ocorreu durante uma reunião do conselho consultivo do instituto realizada nesta terça-feira (22). Embora o espaço já contasse com proteção nas esferas municipal e estadual desde o ano de 2004, a nova medida estende o reconhecimento e a salvaguarda para o âmbito federal.
Erguida em 1950 a partir da reformulação de um antigo armazém industrial, a capela é amplamente reconhecida por historiadores e especialistas como um marco inicial na introdução da modernidade na arquitetura e na arte religiosa brasileira.
A construção do templo nasceu de uma iniciativa do frei dominicano João Batista Pereira dos Santos, idealizador da Unilabor, uma fábrica de móveis concebida sob uma lógica de produção igualitária que unia operários, arte moderna, preceitos religiosos e engajamento político.
O inventário de bens móveis e integrados protegidos pelo tombamento engloba 46 itens. Entre os destaques estão os afrescos e vitrais criados por Alfredo Volpi, um projeto paisagístico assinado por Roberto Burle Marx, além de um vitral na sacristia e peças de marcenaria concebidas por Geraldo de Barros e produzidas na própria fábrica. O local também abriga pia batismal, castiçais e luminárias de cerâmica vitrificada de Elizabeth Nobiling.
O acervo guarda ainda a pintura bíblica “No Caminho de Emaús”, autoria de Yolanda Mohalyi, figura de proa do abstracionismo no Brasil. A obra permaneceu oculta na sacristia sob camadas de tinta branca por longos anos, até ser reencontrada durante as obras de restauração executadas entre 2006 e 2008.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
