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Líder indígena pede na ONU retirada de invasores de sua Terra

Representando associações de direitos humanos, o jovem líder Bitaté discursa no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quarta-feira para denunciar invasões na Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, em Rondônia.

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Líder indígena pede na ONU retirada de invasores de sua Terra

As graves violações enfrentadas pelos povos da Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, localizada no estado de Rondônia, ganham palco internacional nesta quarta-feira (23). O jovem líder indígena Bitaté realiza um pronunciamento oficial no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), durante o Diálogo Interativo com o Mecanismo de Especialistas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, para cobrar ações enérgicas contra as invasões ilegais no território.

Falando em nome da Associação Jupau, da Conectas Direitos Humanos e da Associação Kanindé, Bitaté ressalta que, embora a demarcação e a homologação da área tenham ocorrido na década de 1990 e exista uma determinação judicial recente exigindo a expulsão dos invasores, a etapa de desintrusão segue incompleta. O representante reforça que a medida é de urgência histórica para garantir a integridade dos povos originários e que a soberania sobre o território não pode ser objeto de negociação.

Em entrevista concedida antes do discurso na sede da ONU, Bitaté, de 26 anos e morador da Aldeia Jamari, detalhou que os principais responsáveis pelo avanço sobre o território são empresários locais de Rondônia. Segundo o relato, esses atores financiam pequenos produtores para estabelecer ocupações iniciais e, posteriormente, adquirem as áreas com o objetivo de expandir a pecuária bovina, o cultivo de soja e a exploração ilegal de recursos como madeira e ouro.

O ativista também pontua que a presença dos invasores fomenta um cenário constante de intimidação e violência, visando especialmente as lideranças locais. Para ele, levar a situação à tribuna internacional é fundamental para assegurar a preservação da floresta e proteger os grupos de indígenas isolados que habitam o interior da reserva, alheios à dinâmica externa.

O histórico de disputas fundiárias na região remonta a 1975, período da ditadura militar, quando foi implantado um projeto de colonização que acabou sobrepondo lotes agrícolas a áreas sagradas do povo Jupaú. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha ordenado em 2023 a retomada da desintrusão, o andamento do processo sofreu paralisações neste ano em decorrência de pressões políticas exercidas por parlamentares locais, que contestam o traçado histórico e pleiteiam indenizações.

Especialistas em direitos socioambientais reforçam que a permanência do conflito submete as comunidades locais a décadas de privação de seus direitos constitucionais de usufruto exclusivo. Com lideranças inseridas em programas de proteção devido ao risco iminente de ataques, organizações de direitos humanos defendem que a visibilidade gerada na ONU é uma ferramenta crucial para pressionar o Estado brasileiro a cumprir as ordens judiciais e estancar a violência na Amazônia.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano