O Nubank e a britânica Revolut, reconhecidos globalmente como os bancos digitais de maior valor de mercado, estão protagonizando uma disputa acirrada em seus planos de expansão para o complexo e competitivo mercado dos Estados Unidos. Ambas as instituições obtiveram recentemente aprovação condicional para licenças bancárias no país e buscam aproveitar uma janela regulatória excepcionalmente permissiva para consolidar suas marcas em solo norte-americano.
As apostas para esse movimento são elevadas, uma vez que o sucesso de longo prazo nos Estados Unidos sustenta as expressivas avaliações de mercado de ambas as fintechs. A Revolut, avaliada em aproximadamente US$ 115 bilhões, precisa avançar de forma consistente entre os consumidores americanos nos próximos anos, visando justificar sua cotação antes de uma abertura de capital planejada para 2028.
Conquistar o setor bancário nos Estados Unidos, no entanto, representa um desafio considerável. O mercado é regido por uma intrincada teia de regulamentações estaduais e federais, reunindo milhares de instituições que vão desde bancos comunitários com profundos laços locais até gigantes de Wall Street com trilhões de dólares em depósitos e operadoras tradicionais de cartões de crédito.
Fundado em 2013 e avaliado atualmente em US$ 67 bilhões, o Nubank consolidou sua liderança no Brasil antes de expandir suas operações para o México e a Colômbia, acumulando mais de 135 milhões de clientes. Como parte de sua estratégia de visibilidade nos EUA, a instituição brasileira firmou patrocínio ao estádio rebatizado como Nu Stadium e ao Inter Miami, time do craque argentino Lionel Messi.
Por sua vez, a Revolut conta com 80 milhões de clientes espalhados por 40 países e detém o título de startup mais valiosa da Europa. Enquanto o CEO da Revolut, Nik Storonsky, sinaliza preferência pelos EUA para sua oferta pública inicial, executivos de ambas as empresas reconhecem que o mercado local é extremamente saturado e bem atendido por milhares de bancos e cooperativas de crédito.
Para superar tais barreiras, as companhias apostam em diferenciais específicos. O Nubank planeja oferecer rendimentos agressivos sobre saldos em conta-corrente e focar no atendimento a clientes de menor renda, além de explorar o crescente corredor de remessas entre os Estados Unidos e a América Latina. Já a Revolut concentra seus esforços iniciais em públicos que lidam com múltiplas moedas e em transações internacionais, buscando fincar raízes sólidas no mercado norte-americano nos próximos anos.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
