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Com ingressos a partir de R$ 1.600, Filarmônica de Berlim diz buscar novos ouvintes no Brasil

A prestigiada Orquestra Filarmônica de Berlim retorna ao país em outubro para apresentações na Sala São Paulo, sob a regência de Kirill Petrenko, gerando debate sobre os altos custos dos ingressos e o objetivo de atrair novos públicos.

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Com ingressos a partir de R$ 1.600, Filarmônica de Berlim diz buscar novos ouvintes no Brasil

A renomada Orquestra Filarmônica de Berlim, fundada em 1882 e considerada uma das mais importantes do planeta, prepara-se para desembarcar no Brasil em outubro. A vinda ocorre 26 anos após a primeira e única passagem da instituição pelo território brasileiro, realizada em maio de 2000. Desta vez, o grupo alemão realizará dois concertos na Sala São Paulo, nos dias 18 e 19, sob a batuta do maestro russo Kirill Petrenko, diretor artístico e titular da orquestra desde 2019.

A atual formação do conjunto musical reflete uma forte diversidade global, reunindo cerca de 135 músicos oriundos de mais de 35 países, com representantes do Chile, Venezuela, Peru e Brasil. Segundo a violinista Eva Maria Tomasi, integrante do conselho da Filarmônica e veterana da turnê de 2000, essa pluralidade de origens se transformou em uma vantagem sonora. Para Petrenko, o grupo funciona como um verdadeiro time que compartilha a mesma respiração e o mesmo sentimento artístico em cima do palco.

A turnê sul-americana também marca a estreia de Kirill Petrenko como regente no continente. O itinerário internacional do grupo inclui passagens por Nova York — onde abrirão a temporada do Carnegie Hall pela quarta vez —, Bogotá e Buenos Aires, com apresentações programadas no Teatro Colón. A diretora-geral da Fundação Filarmônica de Berlim, Andrea Zietzschmann, ressaltou que a instituição tem o claro objetivo de se aproximar dos públicos locais, alcançando desde jovens até pessoas que nunca tiveram contato com a música clássica.

Apesar do discurso de inclusão e de renovação de plateia, a política de preços adotada para os concertos gerou forte contraste. Os ingressos para as apresentações em São Paulo variam de R$ 1.600 a R$ 5.000, valores que criam uma barreira financeira intransponível para a maioria dos jovens e novos ouvintes que a instituição diz querer conquistar. Os organizadores pontuam que toda a arrecadação da bilheteria será revertida para o tratamento de crianças e adolescentes com câncer por meio de uma parceria com a Tucca.

Para as apresentações na capital paulista, a programação foi dividida em dois programas distintos. No dia 18, o público poderá conferir o “Concerto para Piano Nº 1” de Johannes Brahms e “Assim Falou Zaratustra” de Richard Strauss, contando com a participação do pianista islandês Víkingur Ólafsson no lugar de Daniil Trifonov. Já no dia 19, o repertório trará as “Variações Enigma”, de Edward Elgar, e a “Sinfonia Nº 4”, de Piotr Ilitch Tchaikovski.

A turnê reforça o prestígio internacional da Filarmônica de Berlim e consolida a busca por novas plateias globais, ainda que o acesso a espetáculos dessa magnitude permaneça restrito a parcelas privilegiadas da sociedade devido aos altos custos operacionais e de bilheteria exigidos por grandes eventos internacionais de música erudita.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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