A Embaixada do Irã em Gana utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (24) para comparar o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ao personagem Voldemort, o principal vilão da série literária e cinematográfica ‘Harry Potter’. A manifestação ocorreu logo após o discurso do premiê israelense na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York, evento marcado por forte tensão e ataques verbais a adversários geopolíticos.
Por meio de uma publicação na plataforma X, a legação diplomática iraniana divulgou uma imagem gerada por inteligência artificial que associava diretamente a fisionomia de Netanyahu ao antagonista criado pela escritora britânica J. K. Rowling. Na legenda da postagem, a embaixada ironizou o pronunciamento: ‘Hoje, na ONU, o lorde das trevas deu uma lição de moral ao mundo’. O texto ainda complementou com uma referência direta à saga fantástica ao apontar que ‘até os Comensais da Morte saíram’.
A ofensiva digital surgiu poucas horas depois de o chefe de governo de Israel direcionar duras críticas ao regime de Teerã durante sua intervenção na tribuna da ONU. O episódio insere-se no contexto de conflito regional prolongado que envolve o Irã, Israel e os Estados Unidos, mantendo os ânimos acirrados entre as nações envolvidas nas disputas estratégicas do Oriente Médio.
Durante sua apresentação no plenário, Netanyahu recorreu a recursos visuais para condenar as autoridades iranianas. Em dado momento, exibiu um terminal de internet via satélite Starlink, desenvolvido pela empresa de Elon Musk, argumentando que o governo de Teerã impõe restrições severas para isolar seus cidadãos e impedir a livre comunicação com o restante do planeta. Paralelamente, o gabinete do premiê informou que cerca de 500 outdoors e anúncios de teor político contra o Irã foram espalhados por diversos pontos de Nova York durante o período da Assembleia Geral.
A presença do líder israelense no evento foi marcada por protestos contundentes. Ele foi recebido sob sonoras vaias e assistiu à saída coletiva de dezenas de delegações do plenário, incluindo os representantes do Brasil. Diante da evasão em massa — um cenário que repetiu o protesto ocorrido em sua participação no ano anterior —, Netanyahu rotulou os diplomatas que abandonaram o salão de sessões como ‘covardes morais’.
O acirramento dos discursos na ONU aconteceu apenas um dia após o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ocupar a mesma tribuna para imputar acusações de terrorismo a Israel e aos Estados Unidos, reiterando que seu país resistirá a pressões externas e não se curvará a exigências de rendição. Pezeshkian exibiu registros fotográficos de crianças vítimas de um bombardeio contra uma escola na localidade de Minab, situada no sul iraniano, e defendeu a manutenção do programa nuclear nacional.
Apesar da intensa retórica bélica desferida em Nova York, canais de bastidor buscam reabrir vias diplomáticas entre Washington e Teerã. O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, manteve entendimentos à margem da Assembleia Geral com o enviado norte-americano Steve Witkoff e com Jared Kushner, conselheiro e genro do presidente Donald Trump, marcando as primeiras tratativas diretas entre as partes desde o final de junho. Em declaração recente, Pezeshkian pontuou que o governo iraniano não tem interesse na perpetuação do conflito, cabendo à administração dos Estados Unidos definir os passos para o encerramento das hostilidades.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
