Uma iniciativa corporativa internacional conecta diretamente o sul de Minas Gerais aos planos estratégicos dos Estados Unidos para o setor de minerais críticos. Uma empresa americana, apoiada por um fundo de investimentos que conta com Donald Trump Jr. entre seus sócios, articula a montagem de uma cadeia de suprimentos de terras raras atrelada a um dos maiores empreendimentos do ramo no Brasil, conhecido como Projeto Caldeira.
De acordo com os dados levantados, a mineradora australiana Meteoric Resources, responsável pela condução do projeto mineiro, já despachou amostras do material para a canadense Ucore Rare Metals. A companhia estrangeira projeta abastecer uma fábrica de ímãs situada em território norte-americano, a qual possui o filho do presidente dos Estados Unidos como um dos investidores.
O Projeto Caldeira abrange dezenas de títulos minerários e de pesquisa distribuídos em uma extensa área nos municípios mineiros de Andradas, Caldas e Poços de Caldas. Em meados de 2024, a Meteoric celebrou um memorando de entendimentos com a Ucore para que o processamento do material ocorra em uma planta industrial planejada no estado norte-americano da Louisiana.
A conexão com Donald Trump Jr. consolidou-se em agosto de 2025, período em que a 1789 Capital, fundo de investimentos do qual ele é sócio, aportou recursos na Vulcan Elements, fabricante especializada na produção de ímãs aplicados em itens de alta tecnologia, como equipamentos militares, semicondutores, drones, satélites e veículos elétricos. Posteriormente, em março de 2026, a fabricante firmou um acordo para testes com a Ucore.
No cenário regulatório brasileiro, a articulação comercial ocorre em paralelo à sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras. A nova legislação confere ao governo federal a prerrogativa de analisar acordos internacionais de fornecimento que possam gerar impactos diretos sobre a segurança econômica e geopolítica do país, fator que poderá ser invocado em eventuais contratos definitivos.
Enquanto a exploração em escala comercial aguarda o avanço nos trâmites de licenciamento ambiental e a obtenção da licença de instalação junto aos órgãos competentes em Minas Gerais, a unidade piloto da Meteoric segue em operação, evidenciando o apetite internacional por reservas estratégicas brasileiras voltadas à transição energética e à indústria de defesa global.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
