Apontado pelo apelido de “Careca” por traficantes, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que comandou por sete anos a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) em Campo Grande, liderava uma organização criminosa estruturada para desviar drogas apreendidas e revendê-las no mercado ilegal. A engrenagem criminosa contava com a participação de servidores das polícias Civil, Militar e Penal de Mato Grosso do Sul.
A investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) aponta que a estrutura contava com nove policiais civis, dois militares e um policial penal. O esquema teria sido montado em 2021, dois anos após Hoffman assumir o comando da especializada. Segundo o Ministério Público, o grupo possuía divisão de tarefas bem definida, desde o levantamento de informações sobre cargas de cocaína até a execução das apreensões e o posterior repasse dos entorpecentes.
Enquanto o delegado Hoffman D’Ávila fornecia a chamada “chancela institucional” para acobertar as ações ilícitas, o núcleo operacional executava o trabalho em campo. Entre os citados na investigação estão os investigadores Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como “Paraíba” — demitido da Polícia Civil em setembro após ser pego com R$ 130 mil em dinheiro —, além de Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva.
O grupo policial contava ainda com os policiais militares Alison Lemes Bezerra (conhecido como “Daga” ou “Daguinha”) e Thiago Bezerra Laurentino (“Grande” ou “Grandão”), além do policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos. As apurações revelaram que essas equipes faziam o rastreamento das cargas e realizavam as apreensões que alimentavam o esquema de revenda de drogas aos criminosos.
A ligação entre os agentes públicos e os compradores dos entorpecentes era feita por Lucas da Silva dos Santos, o “LK”. Conforme o Gaeco, ele recebia informações sobre os carregamentos, articulava as negociações, determinava os valores e mantinha a ponte direta com os traficantes. LK contava com um núcleo de apoio financeiro formado por familiares e pessoas próximas, incluindo sua mãe Valdenice da Silva Gois, Ana Carolina da Silva dos Santos, Jéssica da Silva dos Santos, Lavínia Carvalho da Luz, Rayane Luiz Vieira, Matheus Gabriel Machado Bezerra e Wesley Benite Matos Pereira Duarte.
A Operação Infiltrados desdobrou-se a partir de descobertas das operações Traquetos e Blindspot, iniciadas em outubro de 2025. A força-tarefa cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados e Terenos. Hoffman não foi localizado em sua residência no início da manhã, mas se apresentou horas depois na Corregedoria da Polícia Civil, onde passou a cumprir prisão preventiva. As defesas dos investigados informaram que ainda aguardam acesso integral aos autos, que tramitam em sigilo, para se manifestarem detalhadamente sobre as acusações.
Fonte: www.campograndenews.com.br
