A vulnerabilidade das tradicionais redes elétricas na Europa ganhou contornos dramáticos após os ataques à infraestrutura na Ucrânia em 2022. Diante de apagões que deixaram milhões sem luz e aquecimento, o empreendedor sueco de tecnologia Jonas Birgersson iniciou um experimento em sua cidade natal, Lund, com o objetivo de desenvolver um sistema local mais barato e seguro para a produção, armazenamento e compartilhamento de energia.
A solução desenvolvida por sua empresa, a ViaEuropa, firmou recentemente um acordo com uma associação que representa administradoras de habitação em toda a Suécia, gerenciando coletivamente cerca de um milhão de apartamentos. A iniciativa tem atraído olhares de especialistas internacionais, como Kingsmill Bond, diretor do centro de estudos Ember, que classificou a proposta como uma ideia oportuna para o cenário energético atual.
O desafio da modernização das redes elétricas tornou-se urgente em potências industriais. Estruturas concebidas nos séculos 19 e 20 enfrentam obsolescência e lutam para acompanhar o aumento da demanda impulsionado por data centers, veículos elétricos e bombas de calor. Episódios recentes de falhas em países europeus e nas Américas demonstram a fragilidade de sistemas centralizados de grande porte.
Como resposta a essa vulnerabilidade, defensores da descentralização propõem uma arquitetura baseada em redes menores e interconectadas, assemelhando-se ao funcionamento da internet. Projetos financiados pela União Europeia, como o Safer Grid, buscam demonstrar a viabilidade técnica desse arranjo para evitar que falhas locais se transformem em colapsos continentais.
Na visão de Birgersson, o futuro aponta para a proliferação de milhares de microrredes inteligentes geridas por roteadores digitais, permitindo que residências adquiram energia de forma estável e barata. O empresário, conhecido por seu histórico de revolução no setor de telecomunicações nos anos 1990, aplica a mesma lógica de redes de banda larga à distribuição de eletricidade.
A cidade de Lund, reconhecida como um polo global de pesquisa e inovação científica, abriga os primeiros testes práticos da tecnologia. Combinando conceitos de eletrônica de potência e infraestrutura descentralizada, o projeto busca consolidar um modelo que, se validado no território sueco, poderá pavimentar o caminho para a reformulação energética em todo o continente europeu.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
